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Rajoy nega acusações de corrupção e diz que divulgará declaração de renda

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 2 de fevereiro (Folhapress) - O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, respondeu hoje às acusações de corrupção divulgadas pelo jornal "El País". O premiê se comprometeu a publicar sua declaração de renda e patrimônio na semana que vem na internet. O premiê disse que tudo o que está dito nos papéis obtidos pelo jornal é falso e disse que não vai deixar o cargo. "Estou na política para mudar as coisas, não para meu partido, mas para os espanhóis". "Não recebi nem distribui dinheiro falso, nem neste partido nem em qualquer lugar. É falso". Rajoy também negou acusações de que teria uma conta na Suíça e disse que as acusações de pagamentos ilegais são "infâmias". Segundo o "El País", diversos dirigentes do PP (Partido Popular, de direita), do qual faz parte Rajoy, receberam pagamentos ilegais em dinheiro vindos de empresas privadas. O próprio premiê teria recebido entre 1997 e 2008, pagamentos trimestrais ou semestrais que somavam 25,2 mil euros ao ano. "Não entrei na política para ganhar dinheiro", disse Rajoy. Barcenas Nos papéis obtidos por "El País", figuram numerosas doações de empresas da construção civil, entre elas três envolvidas no chamado caso Gürtel, em fase de tramitação judicial. O novo escândalo abala ainda mais a credibilidade de Rajoy, 57, cujo governo enfrenta uma forte recessão e um dos maiores índices de desemprego da União Europeia. Os documentos do "El País" teriam sido mantidos por dois ex-tesoureiros do PP, Álvaro Lapuerta e Luis Bárcenas. Este último renunciou ao cargo após juízes terem iniciado investigações sobre seu possível envolvimento em pagamentos ilegais para membros do partido vindos de empreiteiras e outras empresas que adquiriram contratos com o governo espanhol. Os documentos, na forma de cadernos manuscritos com registro de entradas de dinheiro, revelam mecanismo que lembra bastante o utilizado no Brasil, no chamado "mensalão", conforme ficou provado no julgamento do Supremo Tribunal Federal. O PP nega as transações ilegais. O procurador-geral espanhol, Eduardo Torres-Dulce, afirmou que há indícios suficientes para que as acusações sejam investigadas, e que Rajoy poderia ser interrogado, se necessário. Segundo declaração dada ao canal 13TV, Torres-Dulce deve se decidir entre abrir um novo inquérito ou incorporar as alegações a um outro caso, já em curso, nos próximos dias.  

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