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Sócios e músicos sabiam de risco de incêndio na Kiss, afirma polícia

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 1 de fevereiro (Folhapress) - No sexto dia de investigações, a Polícia Civil gaúcha concluiu que houve "dolo eventual" na tragédia que matou 236 pessoas na boate Kiss, na madrugada de domingo. Ainda faltam laudos periciais para confirmar as causas do acidente - que, para os policiais, estão bem definidas -, mas já foram tomados 72 depoimentos. "A polícia já tem uma ideia formatada de que as pessoas que estão presas agiram, de muitas maneiras, assumindo um risco de produzir dano", o que caracteriza o dolo eventual, disse o delegado Sandro Meiners. Estão presos desde segunda-feira Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, donos da boate, Marcelo de Jesus Santos e Luciano Bonilha, cantor e produtor da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava quando o incêndio começou. Ontem, a Justiça atendeu ao pedido da polícia e prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária dos quatro. No final da tarde, policiais civis cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa de Spohr, um dos sócios. O delegado disse que a polícia procurava documentos, mas não revelou quais. Dolo Segundo as investigações, o fogo começou quando faíscas de um sinalizador usado pelo vocalista do grupo atingiu a espuma de revestimento do teto da boate. A espuma, altamente inflamável, foi instalada pelos donos da boate, segundo a polícia, mas não poderia ter sido usada daquele modo. Já o artefato pirotécnico usado pela banda era indicado para uso em áreas abertas e, mesmo sabendo disso, os músicos o lançaram dentro da boate. A polícia não descarta indiciar mais pessoas como responsáveis pela tragédia. Também afirma que vai investigar as responsabilidades dos agentes públicos que deveriam ter fiscalizado o local. O alvará do Corpo do Bombeiros da Kiss estava vencido desde agosto de 2012. Esse documento requer, para ser renovado, vistorias anuais, para verificar que o ambiente está em conformidade com as normas de segurança. O alvará dos bombeiros é pré-requisito para que a boate tenha alvará de funcionamento, expedido pela prefeitura.  

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