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Um dia após reunião, manifestantes egípcios protestam contra Mursi

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 1 de fevereiro (Folhapress) - Milhares de egípcios se reuniram hoje nas ruas do Cairo para protestar contra o presidente islamita Mohamed Mursi, acusado de trair os ideais da revolução que lhe permitiu chegar ao poder.

As manifestações ocorrem depois que representantes de diferentes facções políticas do Egito realizaram uma reunião ontem para denunciar a violência observada em uma série de protestos ocorrida na última semana que deixou ao menos 60 mortos, em todo o país.

"Fora!", gritava a multidão que invadiu as principais avenidas da capital no início da tarde, após a oração semanal muçulmana.

Com bandeiras e faixas exigindo "justiça" os manifestantes iam rumo à Praça Tahrir, ou para o palácio presidencial na periferia de Heliópolis, onde as medidas de segurança foram reforçadas.

Também foram registrados protestos em outras cidades egípcias, convocados pela Frente de Salvação Nacional (FSN), principal coalizão de oposição ao poder.

A FSN exige o fim do "monopólio" do poder pela Irmandade Muçulmana, formação a qual o presidente Mursi pertence, a criação de um governo de salvação nacional, a revisão da Constituição e a saída do procurador-geral nomeado pelo chefe de Estado.

"Se essas reivindicações não forem atendidas, nenhum diálogo político dará frutos", declarou a FSN em um comunicado.

Essa nova onda de protestos começou há uma semana, quando a oposição convocou uma manifestação para marcar o segundo aniversário do protesto de 25 de janeiro de 2011 -marcante na chamada Primavera Árabe e que, ao final, levou à deposição do ditador Hosni Mubarak. O problema se intensificou no último sábado com a condenação à pena de morte de 21 torcedores de uma equipe de futebol.

Reunião

Foi a primeira vez que representantes da Irmandade Muçulmana -à qual pertence o presidente Mohamed Mursi- se encontraram com a Frente de Salvação Nacional, uma coalizão de oposicionistas que foi formada em novembro passado. Os políticos concordaram em condenar a instigação da violência e em proibi-la, além de diferenciá-la de atos políticos legítimos.

O encontro foi marcado pelo xeque Ahmed al Tayyeb, chefe da mesquita e da universidade Al Azhar e maior autoridade do islã sunita.

"Manifestações Pacíficas"

Um dos líderes da oposição, Amr Musa, fez um apelo por "manifestações pacíficas".

"Não queremos um derramamento de sangue, nem destruições. Queremos liberdade de expressão, queremos democracia", declarou.

Apesar das promessas de diálogo, parte da imprensa demonstrou ceticismo quanto a uma verdadeira reconciliação de um país profundamente dividido.

"Mesmo se houver diálogo, será um diálogo de surdos entre os que governam e os que rejeitam sua autoridade. Os primeiros se baseiam em sua legitimidade e os segundos ameaçam queimar o país", escreveu o jornal governamental Al-Ahram.
 

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