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Justiça-RJ - (Atualizada)

Da Redação ·

Policiais envolvidos em morte da juíza Patricia Acioli são condenados




Por Juliana Dal Piva

RIO DE JANEIRO, RJ, 30 de janeiro (Folhapress) - Três policiais militares acusados pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto de 2011, foram condenados hoje. Junior Cezar de Medeiros foi sentenciado a 22 anos e seis meses; Jefferson de Araújo Miranda foi condenado a 26 anos e Jovanis Falcão recebeu uma pena de 25 anos. Todos deverão cumprir as penas em regime fechado.

A juíza Patrícia Acioli foi executada em frente a sua casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio, com 21 tiros. Em dezembro, Sérgio Costa Júnior, outro réu do caso, foi condenado a 21 anos de reclusão.

Ontem, 13 testemunhas e dois informantes foram ouvidos pelo juiz Peterson Barroso Simão, que presidiu o júri. Os réus prestaram depoimento e negaram envolvimento no crime.

A principal testemunha, que prestou depoimento ontem, foi a advogada Ana Claudia Abreu Lourenço. Ela relatou que avisou aos réus, pouco antes do crime, que a juíza havia decretado a prisão dos três.

Lourenço também contou que incentivou o réu Jefferson de Araújo Miranda a fazer a delação premiada quando esteve com ele na Delegacia Antissequestro e acredita que ele tenha negado o depoimento anterior em função de ameaças. "O que eu posso dizer é que alguém, no meio do caminho, o fez voltar atrás da verdade", concluiu.

O primeiro a depor foi o delegado Felipe Ettore, que presidiu o inquérito sobre a morte da juíza na Delegacia de Homicídios do Rio. O delegado afirmou ao juiz que "os três tinham ciência do assassinato da juíza Patricia Acioli, desde o início do plano até o seu desfecho final".

Ettore relatou ainda que o depoimento prestado sob o benefício da delação premiada por Jefferson Miranda, durante o inquérito, foi totalmente espontâneo e que, naquele momento, a investigação já estava quase chegando ao fim. "A nova sistemática que ele deu foi o diálogo entre o Benitez e o coronel Claudio sobre a morte da juíza", completou.

Outra testemunha foi o promotor Paulo Roberto Mello Cunha, que atuava na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. Ele lembrou que, desde 2008, estava sendo feito um trabalho conjunto de verificação e denúncia de autos de resistência supostamente forjados por policiais do 7º Batalhão da PM em São Gonçalo.

O advogado Bernardo Pinto Lugão também testemunhou e confirmou que estava presente quando Jefferson de Araújo Miranda depôs na época da medida cautelar, sob o benefício da delação premiada, e que o procedimento ocorreu normalmente, sem qualquer irregularidade.

O coronel Mario Sergio Duarte, comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro quando a juíza foi assassinada, também foi ouvido como testemunha de Junior de Medeiros. Após o depoimento, o coronel precisou receber atendimento médico.

"Ao tecer considerações pessoais sobre o inquérito da Polícia Civil, que declarou ter sido muito "persuasivo", o coronel Mario Sergio irritou a promotoria de Justiça. Ele também afirmou que retirou a escolta de dois policiais da magistrada, mas que nunca soube que ela sofria qualquer tipo de ameaça", informou o tribunal, em nota.

Crime

A magistrada foi morta com 21 tiros quando chegava em casa após o trabalho. Segundo investigações, a magistrada passou a incomodar o grupo de policiais quando foram iniciadas investigações sobre a corrupção no Batalhão de São Gonçalo.

A decisão de matá-la foi reforçada após dois integrantes do GAT (Grupo de Ações Táticas) serem presos sob suspeita do assassinato de Diego Beliene, 18 - os PMs eram investigados pela suspeita de terem forjado a morte de Beliene como sendo "auto de resistência", como são classificadas pela PM as mortes de suspeitos em confrontos.
 

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