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Vítimas apontam falha na comunicação dos seguranças da boate

Da Redação ·







Por Marcelo Soares, Enviado Especial

SANTA MARIA, RS, 30 de janeiro (Folhapress) - Os seguranças da boate Kiss, em Santa Maria (a 323 km de Porto Alegre), onde ao menos 235 pessoas morreram após um incêndio no último domingo, não tinham rádio para se comunicarem. A afirmação foi feita pelo delegado Marcelo Arigony na tarde de hoje, após uma reconstituição feita por cinco testemunhas que estavam na casa no dia da tragédia.

Arigony reuniu as cinco pessoas -entre funcionários e clientes- para contar os detalhes do que viram. Uma delas disse que conseguiu escapar da boate caminhando tranquilamente, após o início do fogo.

Ela disse que a evacuação foi facilitada porque percebeu o incêndio no começo e não tinha consumido nada na boate, o que evitou a exigência de seu retorno a um caixa para pagar a comanda. O sobrevivente disse ter demorado cerca de 50 segundos sair do local e que a fumaça já havia dominado boa parte da casa noturna.

As testemunhas afirmaram ainda que nenhum funcionário tinha treinamento em caso de incêndios.

Sinalizadores

Durante inspeções no local, a polícia encontrou caixas de sinalizadores de baixa qualidade no fundo da boate Kiss. Segundo o depoimento de testemunhas, clientes que compravam champanhes no local ganhavam aos artefatos como brinde. O delegado, entretanto, não informou se esses artefatos também eram do modelo sputnik, usado pela banda Gurizada Fandangueira no dia do incêndio.

A boate Kiss local é famosa por receber estudantes universitários. Ao todo, 235 pessoas morreram e outras 145 permanecem internadas.

 

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