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Campos de desabrigados viram 'palco' de estupros

Da Redação ·
 Anistia Internacional diz que o número de casos tem aumentado
fonte: Reuters/R7
Anistia Internacional diz que o número de casos tem aumentado

Tendas para desabrigados instaladas no Estádio Nacional, em Porto Príncipe; campos como esse são palco de estupros desde o terremoto de 12 de janeiro
 

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A organização humanitária Anistia Internacional voltou a denunciar  hoje (29) que casos de abusos sexuais contra mulheres têm se espalhado pelos campos de desabrigados instalados no Haiti após o terremoto que atingiu o país em janeiro.
 

Chiara Liguori, pesquisadora da instituição, alertou:

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- A violência sexual está amplamente presente nos campos. Constituía já um grande motivo de preocupação antes do terremoto. Agora, a situação em que vivem as vítimas cria um risco ainda maior.
 

Membros da Anistia Internacional visitaram oito áreas para desabrigados no país caribenho e colheram relatos sobre vários episódios de estupros, grande parte destes cometidos contra menores de idade.
 

Um dos relatos se refere a uma criança de oito anos, que foi violentada na tenda onde vivia, enquanto a mãe trabalhava. Já uma adolescente de 15 anos foi estuprada pouco depois de sair de sua tenda para ir ao banheiro.
 

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Uma entidade local de defesa da mulher denunciou 19 casos de violência sexual somente em um setor de um grande campo da capital do país, Porto Príncipe. Nenhuma das vítimas, no entanto, teve coragem de fazer denúncias.
 

Devido aos incidentes, a Anistia Internacional cobra uma presença reforçada das forças de segurança nos campos, sobretudo à noite.
 

Nos dias que se seguiram ao abalo sísmico de 7 graus na escala Richter, Porto Príncipe virou palco de ondas de violência e saques. Desde então, tropas da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) comandada pelo Brasil, com o reforço de militares enviados pela comunidade internacional após os tremores, trabalham para reforçar a segurança.
 

O terremoto devastou a capital haitiana e provocou 220 mil mortes, além de ter deixado 311 mil feridos e 1,5 milhão de afetados diretamente, o que representa 15% da população. O sismo foi considerado o mais forte da região nos últimos 200 anos.