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Presidente minimiza falta de reconhecimento diplomático

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 28 de dezembro (Folhapress) - O presidente Federico Franco admitiu hoje que o não reconhecimento de seu governo por seus pares da Argentina e Brasil não prejudicou o Paraguai, mas que, ao contrário, o relacionamento com ambos os vizinhos se mantém fluido, com importantes conquistas. "Não nos convidaram para participar das recepções [diplomáticas], mas nenhuma empresa paraguaia foi castigada no Brasil nem na Argentina", afirmou o chefe de Estado em coletiva de imprensa. Ao realizar um balanço de seus seis meses de gestão à frente do governo, Franco destacou que "o relacionamento com o Brasil foi extraordinário". "Prova disso é a confirmação da segunda ponte sobre o [rio] Paraná, cuja construção [começará imediatamente] por conta do país vizinho", explicou. "Conseguimos que participem [na construção] algumas empresas paraguaias e conseguimos o desenvolvimento da região mais ao sul do alto Paraná", onde habitam milhares de colonos brasileiros, disse o presidente. Argentina Em relação à Argentina, Franco contou como conseguiu obter do governo de Cristina Kirchner o pagamento de sua dívida na represa binacional Yacyretá. "Mediante a insistência, está começando a pagar a dívida que mantém com Yacyretá", observou. Franco comentou a confiança expressa pelos capitalistas argentinos para investir no Paraguai, ao anunciar o início de um serviço de voos que o ligarão o país com províncias do norte argentino. Com ironia, em alusão a seus colegas, disse que, em seu caso, "as questões ideológicas não me preocupam ao tomar decisões que beneficiem o país". "Queremos deixar claro que o Mercosul também precisa do Paraguai, por sua produção de energia, sua terra renovável, por ser produtor de açúcar orgânico, carne. Estamos bem", reconheceu. Ele ponderou que a atitude dos presidentes dos países vizinhos e sócios do Paraguai, de não reconhecer seu governo, "não fez outra coisa além de levantar o moral dos compatriotas". Julgamento Também hoje o chanceler paraguaio, José Felix Fernández, disse que os governos da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) "não têm atribuições legais nem morais para julgar o Paraguai", enquanto reiterou que os observadores do bloco não terão imunidade diplomática durante as eleições de 21 de abril. "Este é um país livre. [Os observadores] poderão entrar pelo aeroporto ou por onde quiserem. Poderão se deslocar, mas não terão nenhum privilégio diplomático", afirmou Fernández. A imunidade será concedida, no entanto, a observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da União Europeia. O chanceler notou, em encontro com jornalistas, que os países da Unasul -exceto Chile e Colômbia, que já reestabeleceram seus embaixadores-, além de Nicarágua e Cuba, são os únicos que não reconhecem o governo de Franco. A polêmica entre o bloco e o Paraguai teve início no processo de impeachment do então presidente Fernando Lugo, em junho, considerado um golpe por governos sul-americanos, incluindo o Brasil.  

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