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Documentos revelam confiança de ex-ministra em Reagan

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 28 de dezembro (Folhapress) - A ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha Margaret Thatcher escreveu uma carta emotiva ao então presidente dos EUA, Ronald Reagan, durante a Guerra das Malvinas, em 1982, dizendo ser ele a "única pessoa" que podia entendê-la, de acordo com documentos até então secretos divulgados hoje. Os arquivos revelados removem o mistério sobre os contatos entre os dois líderes durante a crise e revelam a extensão da pressão que Thatcher sentiu quando a Argentina chegou ao arquipélago do Atlântico Sul para reivindicar o que considera ser seu território soberano, provocando a guerra de dez semanas. Em um arquivo, a dura e franca Thatcher qualificou os momentos que antecederam a reação à invasão argentina como os "piores, acho, que da minha vida", enquanto cartas dela na época a Reagan mostram sua confiança no presidente dos EUA e a estreita relação de trabalho entre os dois. "Estou escrevendo a você em separado porque acho que você é a única pessoa que vai entender o significado do que estou tentando dizer", disse Thatcher a Reagan em uma carta -ela afirmava que os princípios da democracia, liberdade e justiça estavam em jogo. De modo geral, os arquivos mostram que Thatcher destacou a relação especial entre Grã-Bretanha e EUA quando pediu a ajuda de Reagan em uma carta na qual termina assinando "com um abraço pessoal, Margaret". "Eu também acredito que a amizade entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha importa muito para o futuro do mundo livre", escreveu ela. Mantidos em segredo por 30 anos, os arquivos revelam manobras políticas de Thatcher durante outros eventos em 1982. Os documentos também mostram que as atitudes britânicas em relação aos EUA eram menos marcadas pela deferência do que sugerem as cartas da primeira-ministra a Reagan. Em uma transcrição de uma conversa telefônica entre Thatcher e seu ministro das Relações Exteriores, ela critica o estilo de comunicação de Reagan, descrevendo uma mensagem do presidente como "tão vaga que eu não acho que valeu a pena a leitura, quando chegou às 23h30 na noite passada". Em outro arquivo, ela descreve Reagan -um ator que virou político- como alguém que "sabe muito menos do que parece". No entanto, um documento mostra o quão profundamente em dívida para com os EUA as autoridades britânicas se sentiram por sua "ajuda clandestina" durante a guerra das Malvinas -apoio que Washington queria manter em segredo. Os EUA ajudaram a Grã-Bretanha com equipamentos de inteligência, comunicações e apoio militar, diz o documento, confirmando informações já de domínio público. Visita Os documentos revelam também detalhes sobre a visita de Reagan à Inglaterra a convite da rainha Elizabeth 2ª, em junho de 1982. Enquanto se preparava, o então presidente perguntou até o que vestir para cavalgar com a monarca. Os papéis mostram um grande esforço dos britânicos para agradar Reagan em sua passagem de dois dias pelo país. O assessor dele, Michael Deaver, irritou os colegas britânicos com mudanças e pedidos de última hora. Ele disse que queria que o presidente fosse fotografado fora dos lugares oficiais para que não fosse visto "apenas de gravata branca" em compromissos no palácio, sugerindo até que ele fosse a um bar local para absorver a atmosfera. Causou espanto e incômodo quando a Casa Branca não deu sua resposta formal rapidamente ao convite oficial da rainha -que geralmente é respondido imediatamente no mundo todo. "O presidente deve realmente responder ao convite dela, o que ele não fez pessoalmente, algo que eu apontei diversas vezes aqui", escreveu o embaixador britânico em Washington, Nicholas Henderson, em uma nota para o escritório de relações exteriores britânico.  

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