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Governo chinês diz que está "vigilante" sobre presença japonesa em ilhas

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 27 de dezembro (Folhapress) - Funcionários do governo chinês ouvidos pela agência de notícias Reuters disseram hoje que Pequim está "altamente vigilante" sobre os voos de caças japoneses sobre um arquipélago no mar do Leste da China.

A declaração seria uma reação contra o domínio japonês sobre as ilhas, chamadas de Senkaku por Tóquio e Diaoyu por Pequim. O território, que também é disputado por Taiwan, é alvo de uma disputa diplomática que se intensificou nos últimos três meses.

Os funcionários dizem que o Japão deve assumir a responsabilidade por quaisquer consequências, sem dar mais detalhes sobre as possíveis represálias. Pequim afirma que, no último sábado, aviões japoneses interceptaram uma aeronave chinesa que voava a 150 km das ilhas.

"Vamos decididamente cumprir nossas tarefas e missões enquanto coordenamos com os departamentos relevantes (...) de modo a salvaguardar as ações de cumprimento da lei marítima da China e proteger a integridade territorial do país e os direitos marítimos", disse o porta-voz do Ministério da Defesa da China, Yang Yujun, em entrevista coletiva.

O Ministério da Defesa do Japão anunciou que o envio de caças em várias ocasiões nas últimas semanas para interceptar aviões de vigilância chineses que foram ao arquipélago. As autoridades afirmaram que um avião chinês violou o espaço disputado pela primeira vez no último dia 13.

No discurso de posse, ontem, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, prometeu não ceder na disputa sobre as ilhas e aumentar os gastos de defesa para combater a influência militar de Pequim.

Compra

O conflito entre os dois países se intensificou em setembro, quando o Japão anunciou ter comprado as ilhas, que pertenciam a um dono particular japonês e eram patrulhadas pela Guarda Costeira do país.

Na época, o então vice-presidente chinês e futuro mandatário do país, Xi Jinping, chamou a transação de "farsa". "O Japão deveria moderar seu comportamento e interromper quaisquer palavras e atos que abalem a soberania e a integridade territorial da China."

A disputa com o Japão provocou uma série de manifestações em cidades chinesas, algumas violentas. Milhares de pessoas protestaram em frente a representações diplomáticas de Tóquio e depredaram carros e empresas de origem japonesa.

Temendo retaliação, as multinacionais nipônicas suspenderam suas atividades, entre elas Panasonic, Toyota, Nissan e Honda. As vendas locais também foram prejudicadas por um boicote. Desde então, os dois países continuaram as disputas, mas com manifestações menos intensas.

Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã também reivindicam partes do mar da China Meridional.

 

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