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Senado vota na quarta legalização de casamento gay

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 24 de dezembro (Folhapress) - O Senado do Uruguai anunciou hoje que votará na quarta-feira um projeto de lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado no início do mês na Câmara dos Deputados.

Em recesso parlamentar, a casa realizará uma sessão extraordinária na qual vai apreciar diversos projetos de lei, entre eles o que sustenta que "o matrimônio é a união permanente entre duas pessoas de de igual ou distinto sexo".

O projeto já passou pela Câmara com o apoio dos deputados da Frente Ampla, e de grande parte da oposição.

Nos últimos seis anos, o Uruguai legalizou a união civil homossexual e a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, além de habilitar a mudança de nome e sexo e o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas do país.

Igreja

O bispo de Canelones, Alberto Sanguinetti, assegurou em uma coluna publicada pela Igreja Católica que "choca a prontidão parlamentar em poucas semanas" para aprovar a "lei do mal chamado matrimonio igualitário".

"Pra que tanta pressa? Vai acabar o mundo se postergarem por algum tempo? O que provoca tanta pressa? Por que não deixar a sociedade discutir? Por que não ouvir os argumentos jurídicos, filosóficos em torno do tema? É inteligente, maduro mudar a instituição de base da sociedade sem uma reflexão profunda?", questionou Sanguinetti.

Ele reclamou que "ainda que continuamente se fale de diversidade, parece que querem um pensamento único" e citou como exemplo a discussão de uma lei de características semelhantes na França e citou o artigo escrito pelo rabino Gilles Bernheim, que trata da questão do casamento gay e adoção por pessoas do mesmo sexo.

Ele afirma que "é legítimo perguntar-se se o objetivo dos militantes não finalmente a destruição pura e simples do matrimônio e da família, tal como foram concebidas tradicionalmente".

Na última sexta-feira, o papa Bento 16 já tinha citado o rabino francês ao convocar os católicos para "lutar" contra o casamento gay, em um contexto de mobilização da Igreja em todos os grandes debates da sociedade.

Em seu discurso de fim de ano à Cúria Romana (governo central da Igreja), o papa criticou duramente as novas concepções da família que não se baseiam na união entre um homem e uma mulher e afirmou que "na luta pela família está em jogo a essência do ser humano".

Sem citar a palavra homossexual e sem fazer julgamento direto sobre a homossexualidade, ele atacou claramente a legalização do casamento gay e a adoção por esses casais na França, Estados Unidos e em outros países.
 

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