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Escritor-Morte - (Atualizada)

Da Redação ·

Cinzas do poeta Lêdo Ivo ficarão em mausoléu da ABL




RIO DE JANEIRO, RJ, 23 de dezembro (Folhapress) - As cinzas do acadêmico Lêdo Ivo, que morreu na madrugada de hoje aos 88 anos, em Sevilha, na Espanha, serão trasladadas para o Rio de Janeiro nos primeiros dias do ano que vem (não há ainda uma data fixada), logo após a cremação de seu corpo, que será feita na Europa. Ivo estava na cidade espanhola para passar o Natal com a família.

Suas cinzas serão sepultadas no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, zona sul do Rio. Membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), o alagoano escreveu obras como "A Cidade e os Dias".

Segundo a assessoria de imprensa da ABL, Ivo passou mal durante a viagem e morreu às 2h (horário de Brasília), vítima de infarto. No momento, o escritor estava acompanhado do filho, o artista plástico Gonçalo Ivo, que vive em Paris e o acompanhava na visita a Sevilha.

Ivo era imortal da ABL desde 1986. O escritor nasceu em 1924, em Maceió (AL). Foi casado com Maria Lêda Sarmento de Medeiros Ivo, que morreu em 2004 e tem três filhos: Patrícia, Maria da Graça e Gonçalo.

Ivo fez os cursos primário e secundário em Maceió. Em 1940, mudou-se para o Recife. Em 1943, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se formou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 1949. Ivo, porém, nunca advogou.

Durante o curso, o escritor passou a trabalhar como jornalista e a colaborar em suplementos literários de periódicos cariocas. Em 1944, estreou na literatura com "As Imaginações" (poesia). No ano seguinte, publicou "Ode e Elegia", que ganhou o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras.

Nos anos seguintes sua obra ganhou corpo, o autor publicou diversos livros de poesia, romance, conto, crônica e ensaios. Em 1947, seu romance de estreia "As Alianças" recebeu o Prêmio de Romance da Fundação Graça Aranha.

Em 1953, Ivo foi morar em Paris. No fim de 1954, retornou ao Brasil, reiniciando suas atividades literárias e jornalísticas. Em 1957, seu livro de crônicas "A Cidade e os Dias" (1957) recebeu o Prêmio Carlos de Laet, da Academia Brasileira de Letras.

Além de "A Cidade e os Dias", entre suas obras mais famosas estão "Curral de peixe", "Plenilúnio", "Ninho de Cobras", "Confissões de um Poeta" e o infantil "A história da tartaruga".

Ivo foi eleito "Intelectual do Ano de 1990", recebendo o Troféu Juca Pato do seu antecessor desse homenagem, o atual cardeal emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Segundo a presidente da ABL, a escritora Ana Maria Machado, Ivo era "um poeta e ficcionista versátil, de obra variada que abarcava vários gêneros".

"Lêdo Ivo gozava de uma vitalidade assombrosa para seus quase noventa anos e sua saúde frágil. Falava alto, gostava de comer bem, se esmerava em contar histórias divertidas. Nos últimos tempos, essa disposição estava sendo comprovada o tempo todo, nas suas sucessivas viagens que se multiplicavam, fossem para participar de festivais internacionais de poesia, fossem para receber homenagens no exterior, sobretudo nos países de língua hispânica", disse.
 

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