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Procurador-geral recua em decisão e se mantém em cargo

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 20 de dezembro (Folhapress) - O procurador-geral do Egito, Talaat Ibrahim, anunciou hoje que recuou em sua decisão de renunciar e continuará no cargo, três dias após anunciar sua saída. Ele havia decidido deixar o cargo por causa de um protesto de mais de 1.000 promotores pedindo sua saída.

Ibrahim foi nomeado pelo presidente Mohamed Mursi, em um dos decretos emitidos no último dia 22 de novembro. Ele substituiu Abdel Maguid Mahmoud, que fazia oposição ao governo e pediu revisão dos processos contra funcionários do regime de Hosni Mubarak.

As medidas do presidente provocaram uma série de protestos diários nas ruas das maiores cidades do país, que se intensificaram quando o governo aprovou o texto da nova Constituição às pressas e convocou um referendo para que a lei máxima fosse votada, no último dia 30.

A informação sobre a volta do procurador-geral foi divulgada pela agência de notícias Mena, citando fontes do Poder Judiciário. Esses funcionários afirmam que Ibrahim mudou de ideia porque "a renúncia foi forçada".

Críticas

A volta ao cargo de Ibrahim deve retomar os protestos da oposição e dos juízes, que consideraram a indicação um cerceamento da independência do Judiciário, assim como os decretos de Mursi.

O antecessor dele, Abdel Maguid Mahmoud, exerceu a função durante muitos anos sob o regime de Mubarak. Mursi tentou demiti-lo em outubro como resposta a um protesto de militantes islâmicos, mas causou a ira dos magistrados.

A insatisfação da maioria dos juízes cresceu com a chamada do referendo para a nova Constituição, que provocou boicotes de colegiados de magistrados do país. A participação de integrantes do Judiciário é necessária para validar a consulta.

Por falta de observadores, a votação teve que ser dividida em duas: cerca de metade dos eleitores votaram no último sábado, e o restante o fará no dia 22.

Ontem, o presidente do Clube de Juízes egípcio, Ahmed al Zind, afirmou que a associação está determinada a continuar com o boicote, assim como o Conselho de Estado. Isso significa 2.400 juízes a menos para a supervisão do pleito, no próximo sábado.
 

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