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Vice diz que regime erra ao militarizar conflito com rebeldes

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 17 de dezembro (Folhapress) - O vice sírio, Farouk al Sharaa, disse em entrevista ao jornal libanês "Al Ajbar", publicada hoje, que o regime de seu país cometeu erros, como a militarização do conflito. "Foi cometido um monte de erros por parte da Liga Árabe e do Estado [Damasco]. Este último deveria ter analisado os motivos pelos quais chegamos a essa crise, sobretudo sua militarização", afirmou Sharaa.

Ele admitiu que muitos dirigentes sírios "agiram inapropriadamente, o que levou ao fim do diálogo político e abriu as portas para a violência". "Não podemos ignorar a situação econômica e política, assim como a necessidade de mudanças significativos nas instituições do Estado e seus organismos", disse.

Segundo ele, "os problemas da Síria são vários e complicados, já que não é possível separar as ações militares da vida dos cidadãos". "As coisas não podem voltar a como estavam antes, não há retorno."

O vice também indicou que discorda do ditador Bashar Assad quanto à solução para o confronto, que começou em março do ano passado e já matou mais de 40 mil pessoas, de acordo com ativistas oposicionistas.

"[Assad] não esconde sua vontade de escolher a opção militar até a vitória final [e acredita que] depois o diálogo político será realmente possível", disse. "Os que têm a sorte de se reunir com o senhor presidente ouvirão de sua boca que se trata de um conflito longo, e de uma grande conspiração tramada por várias partes", disse.

O vice sunita disse, pelo contrário, ser partidário de uma solução negociada. "Nenhuma rebelião pode colocar fim à batalha com meios militares. Da mesma forma, operações das forças de segurança e das unidades do Exército tampouco colocarão fim à batalha", assegurou.

Na mesma entrevista, Sharaa disse que nem as autoridades nem os rebeldes tenham capacidade para vencer na Síria, de acordo com os trechos divulgados domingo pelo "Al Ajbar".

Com 73 anos, Sharaa foi durante 22 anos chefe da diplomacia síria, antes de se converter em vice-presidente. Desde o início da crise, em março de 2011, se ofereceu para servir de mediador, embora esteja dividido entre sua lealdade ao regime e seu apego a sua região natal de Deraa, berço da rebelião.

Genebra

Sharaa compartilha a opinião do enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, para quem "as coisas vão de mal a pior", mas disse que o mediador "avança lenta e deliberadamente", enquanto a situação no terreno se movimenta de forma rápida e violenta.

O vice se referiu aos acordos realizados pelo Grupo de Ação para a Síria em sua reunião de 30 de junho passado, em Genebra, que estipularam a criação de um "órgão de transição governamental", com participação do governo de Bashar Assad e dos grupos da oposição, para pacificar o país. Do Grupo de Ação participam China, Rússia, EUA, França, Reino Unido, Turquia, a Liga Árabe, a ONU e a União Europeia.

"Não exageramos quando dizemos que o fim da crise síria poderia preparar o caminho a uma atmosfera internacional que aborde as questões importantes pela via política em vez do confronto militar", declarou.

O vice-presidente é visto como um homem que aposta no consenso, por isso foi proposto por alguns países da região para substituir Assad à frente de um governo de transição.
 

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