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Eleições-Venezuela - (Atualizada)

Da Redação ·

Votação tem alta abstenção




Por Flávia Marreiro, Enviada especial

CARACAS, VENEZUELA, 16 de dezembro (Folhapress) - Com Hugo Chávez convalescente em Cuba, os venezuelanos voltaram às urnas hoje dois meses depois de reelegê-lo presidente para escolher os 23 governadores do país, numa jornada marcada pela alta abstenção nas primeiras horas de votação.

A oposição, derrotada nas presidenciais de outubro, tinha o desafio de ao menos manter o controle dos sete Estados que governa hoje -cinco fruto da vitória eleitoral em 2008 e dois comandados por dissidentes do chavismo.

A joia da coroa em disputa é Miranda, onde o governador Henrique Capriles Radonski, candidato derrotado à Presidência, tenta se reeleger para seguir como líder anti-Chávez em eventuais novas eleições.

Chávez admitiu pela primeira vez, no dia 8, que o câncer que o fez enfrentar na semana passada a quarta operação em um ano e meio pode afastá-lo definitivamente do poder. Se isso ocorrer até 2016, novas eleições serão convocadas em 30 dias.

"No cenário que vivemos, temos de mostrar que a eleição é o caminho", disse Capriles hoje, depois de votar.

A alta abstenção ao menos até às 13h levou tanto governo como oposição a reforçarem o chamado pelo voto.

A participação nas eleições regionais costuma ser mais baixa que as presidenciais na Venezuela. Em 2008, a abstenção foi de 35%.

Em Chacao, zona rica de Caracas e bastião oposicionista, não havia filas para votar, em contraste com as presidenciais de outubro, quando a participação foi de 80,48%.

"Muita gente já saiu de férias com as crianças", disse a administradora Ana Maria Betancourt, eleitora de Capriles. O próprio candidato se queixou da data: "Nunca aconteceu uma eleição uma semana antes do Natal".

"Temos de ver para onde a balança se inclina nos Estados competitivos", disse Luis Vicente León, do instituto Datanálisis. "Sem o voto espontâneo, ganha peso a mobilização induzida, e nisso o governo tem vantagem."

Doença e apelo

O chavismo tampouco parecia confortável com a abstenção. O vice-presidente do país, Nicolás Maduro, pediu que eleitores votassem "para não ficarem mal" com Chávez.

"É um voto de amor por um homem que deu tudo pela Venezuela. Não falhemos com ele. Ele nunca falhou conosco", disse Maduro em declarações transmitidas pela TV estatal e pelas duas principais emissoras privadas do país.

O chamado levou Vicente Díaz, integrante da cúpula do Conselho Nacional Eleitoral, a acusar Maduro de fazer campanha e violar a lei eleitoral. Mais tarde, o governo usou novo comunicado televisivo sobre a saúde de Chávez -sem novidades-, pedindo votos para "dar uma alegria" ao presidente.
 

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