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Capriles se solidariza com Chávez, mas critica discurso do presidente

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 10 de dezembro (Folhapress) - O candidato derrotado à Presidência venezuelana nas últimas eleições, Henrique Capriles, manifestou hoje sua solidariedade ao mandatário e vencedor do pleito, Hugo Chávez, que anunciou uma nova cirurgia em decorrência de um câncer na região pélvica. "Esperamos que Deus o abençoe e que Nossa Senhora o cubra com seu manto. As lutas políticas são distintas ao que corresponde à parte do ser humano (...) Nós, os venezuelanos, nos caracterizamos por sermos profundamente solidários", assinalou o líder opositor em declarações a jornalistas. Capriles criticou, no entanto, o discurso de Chávez pedindo para que, caso ele não sobreviva, a Venezuela eleja seu vice-presidente, Nicolás Maduro. "Que fique bem claro: na Venezuela, não há sucessão. Aqui não é Cuba, nem uma monarquia, onde há um rei e então sobe ao trono alguém designado pelo rei. Não, aqui na Venezuela, quando uma pessoa deixa um cargo, a última palavra fica com o povo", disse Capriles, ao finalizar um ato eleitoral no Estado de Miranda, onde concorre às eleições regionais. Após 14 anos no poder e dois meses depois de ter recebido um novo mandato de seis anos em eleições, Chávez afirmou que o ex-chanceler e atual vice-presidente, Nicolás Maduro, será sua escolha para sucedê-lo caso ele falte. "Ele é um completo revolucionário, um homem de grande experiência, apesar da juventude, com uma grande dedicação e capacidade para trabalhar. Em um cenário em que sejamos obrigados a fazer uma nova eleição presidencial, vocês devem escolher Nicolás Maduro". A afirmação, feita em tom emocionado por Chávez, alimenta os rumores sobre a piora de seu estado de saúde. O temor é que, após a cirurgia, o presidente morra ou fique impossibilitado de dirigir o país, o que faria com que Maduro completasse este mandato, que dura até 10 de janeiro. Se essas possibilidades acontecerem após o início do novo mandato de Chávez, o vice-presidente assumiria o país e o governaria até a realização de novas eleições, nos 30 dias subsequentes.  

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