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Após anunciar cirurgia, presidente da Venezuela aponta sucessor pela 1ª vez

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 9 de dezembro (Folhapress) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comentou pela primeira vez sobre o futuro do país sem ele no comando, no discurso em que anunciou a sua terceira cirurgia para combater um câncer. A declaração aumentou os rumores sobre sua saúde e a sucessão presidencial no país.

Após 14 anos no poder e dois meses depois de ter recebido um novo mandato de seis anos em eleições, Chávez afirmou que o ex-chanceler e atual vice-presidente, Nicolás Maduro, será sua escolha para sucedê-lo caso ele falte.

"Ele é um completo revolucionário, um homem de grande experiência, apesar da juventude, com uma grande dedicação e capacidade para trabalhar. Em um cenário em que sejamos obrigados a fazer uma nova eleição presidencial, vocês devem escolher Nicolás Maduro".

A afirmação, feita em tom emocionado por Chávez, alimenta os rumores sobre a piora de seu estado de saúde. O temor é que, após a cirurgia, o presidente morra ou fique impossibilitado de dirigir o país, o que faria com que Maduro completasse este mandato, que dura até 10 de janeiro.

Se essas possibilidades acontecerem após o início do novo mandato de Chávez, o vice-presidente assumiria o país e o governaria até a realização de novas eleições, nos 30 dias subsequentes.

Maduro, 50, é um ex-motorista de ônibus e líder sindicalista venezuelano, que se aproximou de Chávez no início do governo. Um dos aliados mais próximos do mandatário, é muito popular entre os venezuelanos por causa de sua simpatia.

Vazio político

A nomeação de Maduro procura fazer com que o projeto de Chávez evite o vazio político. Durante os 14 anos em que ficou no poder, o presidente não deu sinais de quem poderia ser seu sucessor.

No entanto, a nomeação acontece em um momento em que a oposição está mais forte e pode faltar tempo para que Maduro consiga a influência da figura carismática de Chávez.

Os adversários do presidente saíram mais fortalecidos da última eleição, após o ex-governador de Miranda, Henrique Capriles, conseguir 44% dos votos. Com Chávez fora do cenário político, os contrários ao projeto bolivariano poderiam ter mais chances de vencer.

Rumores

Os rumores sobre a piora na saúde de Chávez surgem após três semanas em que o presidente não aparecia em eventos públicos. No dia 27, ele viajou a Cuba para sessões de oxigenação hiperbárica como tratamento contra o câncer.

O presidente afirmou que as novas células cancerosas foram detectadas em novos exames, realizados na semana passada antes que ele voltasse ao país.

O regresso a Caracas foi a contragosto dos médicos, que queriam fazer a cirurgia imediatamente, mas Chávez argumentou que precisava fazer um novo pedido aos parlamentares para sair do país. "Decidi fazer um esforço adicional, na verdade, porque a dor não é significante".

Esta é a terceira cirurgia pela qual Chávez passa desde junho de 2011, quando descobriu o tumor. No primeiro semestre deste ano, ele ficou mais tempo em tratamento em Cuba que no próprio território venezuelano, para fazer uma cirurgia em fevereiro e uma série de radioterapias e quimioterapias.

 

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