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Chefe da ONU diz que usar armas químicas na Síria é "crime ultrajante"

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 7 de dezembro (Folhapress) - O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, disse hoje que o ditador da Síria, Bashar Assad, cometerá "um crime ultrajante" se usar armas químicas contra grupos opositores que o enfrentam. Apesar do alerta, o chefe da organização disse não ter informações confirmadas sobre a movimentação desse tipo de armamento. Ele também lembrou que, caso ele use as armas, haverá forte reação das potências ocidentais, como uma intervenção militar. No início da semana, os Estados Unidos levantaram a hipótese de que as armas químicas poderiam ser usadas na Síria, mas sem dar indícios de que isso aconteceria. Anteontem, a emissora americana NBC divulgou um vídeo atribuído a rebeldes que mostrava um míssil sendo preenchido com gás sarin. A informação não pôde ser verificada de forma independente devido às restrições impostas à imprensa em território sírio. Em entrevista ontem, o regime sírio voltou a negar o uso de armas químicas. O vice-chanceler, Faisal Maqdad, acusou as potências ocidentais de usar a suspeita para justificar uma intervenção militar. Fim da violência Ban Ki-moon comentou sobre a hipótese em visita ao campo jordaniano de Zaatari, que acolhe mais de 45 mil refugiados sírios. Ele também pediu o fim da violência e o aumento da ajuda dos países aos cidadãos sírios que fugiram dos confrontos entre Assad e os rebeldes. A viagem à Jordânia acontece no mesmo dia em que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se reuniu com o chanceler russo, Sergei Lavrov, e o enviado especial da ONU à Síria, Lakhdar Brahimi. Hillary disse que a solução do conflito entre o regime e a oposição não é simples e exigiu a saída de Assad para garantir uma transição democrática ao país árabe. Durante a reunião, ela e Lavrov concordaram em se esforçar por uma solução diplomática, mas discordaram sobre a saída de Assad. "Essa é uma reunião importante, mas é só o início. Não acho que ninguém acredite que houve o avanço não devemos ter ilusões sobre a intensidade dos confrontos, mas todos nós precisamos estar envolvidos para chegar a uma movimentação". Mísseis Ontem, a Holanda autorizou o envio de duas baterias de mísseis Patriot, da Otan, à fronteira da Turquia com a Síria para evitar que os combates entre rebeldes e as tropas de Assad afetem o outro lado da linha divisória. O pedido é autorizado um dia depois de a Alemanha ter aprovado o envio de armamentos aos turcos, que são membros da aliança militar ocidental. Os mísseis Patriot já foram enviados à Turquia em outras duas ocasiões: na Guerra do Golfo (1991) e na guerra entre Estados Unidos e Iraque (2003). Desde o início dos confrontos, em março de 2011, cerca de 40 mil pessoas morreram, segundo ativistas. A ONU estima que 250 mil pessoas tenham se refugiado fora do país e outras 2,5 milhões se deslocaram internamente.  

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