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"Sonhei com esse momento a vida inteira", diz líder do Hamas em Gaza

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 7 de dezembro (Folhapress) - O líder do movimento radical islâmico Hamas, Khaled Meshaal, chegou ao território palestino hoje pela primeira vez depois de 45 anos de exílio para um "comício da vitória" na faixa de Gaza, exibindo a confiança recém-adquirida depois do conflito do mês passado com Israel.

Ao chegar a Gaza, Meshaal se ajoelhou e fez uma oração. Ele foi recebido por dezenas de oficiais do Hamas e do Fatah, adversário político do grupo.

"Sonhei com esse momento histórico, de vir a Gaza, minha vida inteira", disse Meshaal a repórteres enquanto estava ao lado do líder político Ismail Haniyeh e de Mousa Abu Marzouk, ambos do Hamas.

"Peço a Deus para um dia morrer como mártir nesta terra."

Meshaal apareceu junto às cinzas do carro em que foi morto Ahmed Jabari, comandante militar do Hamas e figura central do grupo.

Jabari foi morto por um ataque israelense no início de novembro, em um conflito que durou oito dias.

Meshaal, que não vai aos territórios palestinos desde que deixou a Cisjordânia, aos 11 anos, surgiu fortalecido do confronto, que terminou com um cessar-fogo que ele negociou sob mediação do Egito.

Policiais e soldados estavam de prontidão no posto fronteiriço de Rafah, alguns deles usando máscaras pretas e circulando nas caçambas de caminhões portando metralhadoras.

Ele deve permanecer por pouco mais de 48 horas na faixa de Gaza, que é governada pelo grupo islâmico desde sua vitória na guerra civil de 2007 contra o Fatah, que controla a Cisjordânia.

Meshaal, de 56 anos, deixou a região com sua família depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel assumiu o controle da região, além da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental. Ele nunca colocou os pés em Gaza, onde vivem cerca de 1,7 milhão de palestinos.

Comício

O Hamas planeja realizar um comício no sábado para celebrar o resultado do confronto contra Israel e também os 25 anos de fundação do grupo.

Israel diz que seus bombardeios aéreos não só mataram o Ahmed Jabari, como também destruíram os arsenais do grupo.

No entanto, a guerra claramente fortaleceu o Hamas na região, rendendo-lhe o apoio de vizinhos árabes, enquanto o Fatah permaneceu isolado. O papel de Meshaal na negociação da trégua também reforçou a posição pessoal dele dentro do grupo, embora ele diga que em breve pretenda renunciar à liderança.
 

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