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Arapongas: Polícia quer transferência imediata de condenados

Da Redação ·

A Polícia Civil de Arapongas apelou ao Ministério Público para que o órgão solicite judicialmente a transferência imediata de ao menos parte dos 45 presos condenados abrigados na cadeia pública local, alvo de uma tentativa de fuga no domingo. A polícia classifica como caótica a superlotação no local, que abriga um número de homens 460% maior que a capacidade. O plano de fuga não foi o único descoberto na região. No Minipresídio de Apucarana, um túnel foi descoberto em uma das celas no último sábado. O pedido de transferência vai ser feito a Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina em caráter de urgência baseado ainda na superlotação da cadeia, que abrigava ontem 189 homens onde caberiam 36. Os presos foram flagrados fazendo um buraco na parede que dá diretamente para a rua. “Os policiais checavam a cerca elétrica e um deles viu aparecer num buraquinho na parede a ponta de um ferro”, disse o delegado de Arapongas Pedro Lucena. Na cela, construída para abrigar oito pessoas, havia 34 presos. Eles foram retirados e colocados no solário. “Se a Secretaria de Justiça retirar daqui pelo menos a metade dos condenados vai ser um alívio”, diz o delegado que afirma que, em média, entre cinco pessoas são presas por semana no município. O delegado diz que Judiciário encontra dificuldade para cumprir a legislação penal, que beneficia presos por crimes considerados de menor gravidade com a liberdade, mediante fiança para não condenados. “O problema é que são todos reincidentes e perigosos. Têm assaltantes, latrocidas, traficantes e envolvidos em explosão de caixas eletrônicos. Como por esse pessoal na rua?”, preocupa-se o delegado. A cadeia de Arapongas está interditada pela Justiça desde 2010, mas continua sendo utilizada pela falta de vagas na carceragem estadual. Para Lucena, a cidade deveria ter, no mínimo, um minipresídio. Em 2010, o Governo do Estado tinha projeto para construir uma nova delegacia com cadeia. O município doou o terreno na zona sul, mas o projeto não foi concluído e acabou suspenso pelo atual governo.

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“Na semana passada, a Sesp (Secretaria de Segurança Pública) rejeitou o terreno doado, porque é de difícil acesso”, informa Lucena. O lote está a 7 quilômetros do centro. “Temos que facilitar para o cidadão. Naquele local poderia ser construída apenas a carceragem e a delegacia ser mantida aqui”, opina. O presidente do Conselho Comunitário de Arapongas (Conseg), Devanir de Carvalho Estrada disse que, junto com a Polícia Civil, é discutida uma alternativa emergencial para criar vagas prisionais, com a instalação de uma cela modular, uma espécie de contêiner para abrigar os presos. “Há espaço disponível no pátio da delegacia. É uma medida que podemos tomar”, conta Estrada. A compra do equipamento seria feita pelo Conseg, ao custo de cerca de R$ 40 mil. A cela removível teria capacidade para seis a oito presos. TÚNEL Em Apucarana, no sábado à noite, policiais descobriram que nove detentos da quarta galeria haviam perfurado cerca de 20 centímetros de concreto do piso para tentar fuga através de túnel. De acordo com o superintendente da 17ª SDP, Edson José Sanches Antunes, os presos empregam choque térmico para amolecer o concreto e depois quebrá-lo com maior facilidade. “Eles utilizam ainda pedaços de ferro arrancados da própria edificação para fazer as perfurações e escavações. É importante frisar que esse material não é passado de fora para dentro da unidade carcerária”, explica.