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Semanário francês que publicou caricaturas de Maomé é processado

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 19 de setembro (Folhapress) - O semanário francês "Charlie Hebdo" recebeu hoje uma demanda judicial apresentada no Tribunal de Paris contra a publicação de caricaturas do profeta Maomé na edição lançada hoje. Segundo representantes da Justiça, a publicação foi processada por incitação pública à discriminação, ao ódio e à violência nacional, racial ou religiosa. A ação foi apresentada pela Associação Síria pela Liberdade, com sede em Paris. Assim que recebido o processo, o tribunal decidirá se o procedimento judicial é cabível. Ao mesmo tempo, a Promotoria francesa abriu uma investigação sobre o ato de pirataria ocorrido durante a invasão à página do "Charlie Hebdo" na internet, na manhã de hoje. O semanário anunciou ontem que publicaria as charges satirizando Maomé. A primeira edição foi toda vendida hoje e a editora anunciou que fará uma nova tiragem. O ato causou polêmica na França e aumentou a indignação dos muçulmanos, que já protestavam contra o filme "A Inocência dos Muçulmanos", feito nos Estados Unidos. As autoridades francesas reforçaram a segurança nas representações diplomáticas em mais de 20 países de maioria muçulmana e ordenaram o fechamento de escolas e centros de cultura franceses. O país também proibiu as manifestações contra as iniciativas com medo do aumento da violência dentro de seu território. Reações A publicação das charges despertou reações dos países islâmicos e também de aliados franceses, como os Estados Unidos. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, questionou a decisão do semanário de publicar os desenhos, mas destacou que nada disso pode justificar a violência. O porta-voz também destacou o apoio de Washington à liberdade de imprensa e advertiu que essas charges não justificam em caso algum a violência. O grupo egípcio Irmandade Muçulmana considerou as ações uma provocação e uma nova campanha cruzada "cheia de ódio". "É uma campanha que não respeita a santidade do Islã, enquanto nós respeitamos a santidade do cristianismo, já que acreditamos em Jesus", disse o porta-voz da entidade, Mahmoud Gazlan. Ele ainda considerou paradoxal a existência de uma lei no Ocidente sobre a negação do Holocausto, mas não há nenhuma que condene as ofensas às religiões. Mais cedo, os desenhos foram condenados pela Al Azhar, principal instituição sunita, que tem sede no Cairo. Em comunicado, a entidade disse que a liberdade de expressão "não deve danificar a liberdade dos outros, convertendo-se em excesso, menosprezo, e ignorância ante outras religiões ou culturas".  

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