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Prédio passa por obra após abalo; moradores ficam em hotel

Da Redação ·

Por MARINA GAMA SÃO PAULO, SP, 14 de setembro (Folhapress) - Começaram na madrugada de hoje as obras emergenciais no prédio da região da Vila Olímpia (na zona oeste de São Paulo) que precisou ser interditado após sofrer uma abalo ontem. Os moradores tiveram que passar a noite na casa de parentes ou em hotéis da região e ainda tentavam pegar alguns pertences na tarde de hoje. O coordenador da Defesa Civil municipal, Jair Paca de Lima, esteve no local no início da tarde de hoje e afirmou que "nas perspectivas mais otimistas, em cinco dias o imóvel será liberado", mas destacou que isso ainda vai depender do andamento das obras. Segundo ele, "três colunas do prédio estavam sobrecarregadas". A subprefeitura de Pinheiro, entretanto, responsável pela vistoria, informou em nota que as obras emergenciais que estão sendo feitas deverão terminar apenas entre 15 e 40 dias. "Se há interdição é porque há risco, mas esse risco está sendo diminuído a cada hora e minuto que passa com os trabalhos de engenharia da edificação", completou Paca de Lima. Os moradores afirmam ter sentido um tremor no imóvel na manhã de ontem. A principal hipótese levantada até o momento é que os abalos sejam decorrentes das intervenções feitas no imóvel pelo hospital São Luiz. A subprefeitura informou em nota hoje que problemas estruturais em pilares do subsolo e do térreo do edifício foram constatados. Segundo ela, a obra que estava andamento possuía alvará de aprovação e execução de reforma. A Polícia Científica esteve no local para recolher material para a elaboração de um laudo. Não foi informado quando o documento ficará pronto. "Baseado no laudo é que poderemos afirmar se houve ou não um erro de engenharia", informou o coordenador da Defesa Civil. A corretora de imóveis, Claudia Bipphi, 51, voltou ao prédio em que mora na manhã de hoje para pegar alguns pertences. Ontem, ela conseguiu retornar ao apartamento por apenas cinco minutos para pegar documentos e alguns pertences. Como não conseguiu pegar muita coisa na ocasião, precisou comprar roupas para o marido e os dois filhos poderem ir trabalhar e ir à faculdade. Eles estão instalados em dois quartos de um hotel da região. "O transtorno é não ter suas coisas e não saber se a gente vai poder voltar para o prédio", disse Claudia, que não conseguiu ir trabalhar ontem à tarde nem hoje pela manhã. A consultora de vendas Patrícia Otero Loiola, 42, afirmou que estava dormindo no momento em que ocorreram os tremores no local. "Acordei no chão", contou. O filho dela precisou se trocar na rua, em frente ao prédio, para ir ao trabalho. "Não peguei nada. Tive que me trocar na rua e quando cheguei no trabalho levei bronca porque não fiz a barba, mas não contei o que aconteceu. Fiquei com vergonha", contou Victor Pedro Loiola Anunciato, 17. Patrícia foi mais uma moradora que não conseguiu trabalhar nos últimos dias. Ela disse que só pode entrar no seu apartamento por três minutos e pegou apenas roupas para os próximo quatro dias. Ela, o filho e a mãe também estão desde ontem em um hotel da região. "Meus armários da cozinha estão todos no chão, caíram. A parede da cozinha também tem uma rachadura enorme. Estamos todos perdidos. Ninguém sabe o que vai fazer", afirmou Patrícia. Os moradores afirmam que a hospedagem está sendo paga pelo Hospital São Luís e está reservada para os próximos 30 dias. Não está sendo coberto, porém, almoço, janta e serviços como o de lavanderia. O hospital afirma, porém, que está pagando a hospedagem por uma política de boa vizinhança. Alguns moradores preferiram ir para casa de parentes. Foi o caso da professora aposentada Maria de Lourdes Dower Nassar, 71, que passou no prédio apenas para pegar algumas roupas e seguir para a casa do irmão, Edson Dower, 73. "Estou nervosa, mas não é para menos, não sei quando poderei voltar", disse.  

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