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Cabeleireiros protestam contra carteira assinada

Da Redação ·





Por Estelita Hass Carazzai

CURITIBA, PR, 12 de setembro (Folhapress) - No início da tarde, somente duas mulheres lixavam as unhas no salão de beleza Stylo Hair, em um bairro nobre de Curitiba: as recepcionistas.

Os outros cem profissionais da casa estavam nas ruas do centro, protestando ao lado de 2.000 cabeleireiros, manicures e depiladores contra as ações do Ministério Público do Trabalho (MPT) para garantir carteira assinada para a categoria.

"Nunca senti falta disso", afirmou o cabeleireiro Elcio Czeszynski, 40, que trabalha há 13 anos no Torriton, concorridíssimo salão em que todos os profissionais são contratados como pessoa jurídica --e que fechou as portas na tarde de ontem para engrossar o protesto.

Em Curitiba, esse tipo de contrato, em que o profissional divide parte do que cobra dos clientes com o salão, é a praxe. Por isso, o MPT resolveu investigar todos os 200 cabeleireiros da cidade.

"Se você tem que vir de manhã, de tarde, no sábado, tem que usar uniforme e o preço sou eu que fixo, você é meu empregado", diz o procurador Alberto Emiliano de Oliveira Neto, do MPT. "E quem é empregado tem que ter direito a férias, 13º, FGTS, descanso semanal."

Czeszynski e outros profissionais ouvidos pela reportagem discordam. Eles dizem ter autonomia para fazer oito ou doze horas por dia e decidir se trabalham aos sábados e feriados. "Nunca ninguém me impôs nada", disse ele.

O MPT já entrou com ação contra uma das redes investigadas, em que pede o reconhecimento do vínculo empregatício dos profissionais. Ainda não houve decisão.

"Eu tiro R$ 3.500 por mês. Se for com carteira, vou ganhar piso de shopping, de R$ 800 e pouco", disse a manicure Luana Machado David, 37. "Eu não trocaria. Hoje, com o salário que tenho, eu saio, vivo bem, tenho o celular que eu quiser."

Para o MPT, o salário não iria cair. "É só pagar comissão, como no comércio", disse Oliveira Neto.
 

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