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Nova direção promete auditoria externa na Cruz Vermelha

Da Redação ·





Por Felipe Bächtold e Reynaldo Turollo Jr.

SÃO PAULO, SP, 12 de setembro (Folhapress) - O novo presidente da Cruz Vermelha do Brasil, Nício Lacorte, afirma que a entidade passará por uma auditoria externa em sua gestão. Ontem, Walmir Serra Jr. renunciou à presidência da entidade após uma sequência de suspeitas de irregularidades na administração vir à tona.

Lacorte diz que a auditoria havia sido sugerida pelo comitê internacional da Cruz Vermelha, mas não foi feita pela antiga direção. Ele afirma que pretende fazer uma "revisão geral" de todas as filiais, "sem abrir mão da soberania" da representação brasileira. A auditoria deverá ser feita por uma empresa privada e bancada pelo órgão internacional.

O mandato do novo presidente vai até julho de 2013, com possibilidade de reeleição. Lacorte, 59, é delegado aposentado da Polícia Federal e comandava a filial do Rio Grande do Sul da Cruz Vermelha.

O escritório gaúcho era o responsável pela administração de um hospital municipal de Balneário Camboriú (SC) onde surgiram suspeitas que colaboraram para a crise na instituição. Uma CPI foi aberta na cidade para apurar a parceria entre prefeitura e a organização. Dezesseis pessoas, incluindo Lacorte, foram indiciadas.

Na semana passada, a Folha de S.Paulo mostrou que o dinheiro que deveria ser usado na cidade catarinense acabou nas contas de uma ONG da mãe do vice-presidente, Anderson Choucino.

O vice também deixou o cargo ontem. Segundo o novo presidente, Serra Jr. e Choucino foram afastados do conselho da entidade nacional e não terão mais nenhuma função administrativa. Eles negam as acusações.

Lacorte diz que a filial gaúcha era responsável pelo hospital catarinense apenas de maneira formal e que a administração era feita pelo escritório nacional.

E-mail

A Folha de S.Paulo teve acesso a um e-mail escrito por Serra Jr. para Lacorte em fevereiro. Na mensagem, o ex-presidente critica o recém-eleito.

Serra Jr. diz conhecer um "esquema" com "atuação direta dos membros da direção nacional" e menciona indícios de desvios de dinheiro destinado a vítimas de desastres.

Ele escreve ainda que um grupo ligado a Lacorte quer "tornar a Cruz Vermelha a sociedade filantrópica que substituirá o falido Ciap".

O Ciap foi uma ONG fechada sob suspeita de desviar verbas de contratos com governos.

Conforme a Folha de S.Paulo revelou, parte dos atuais membros da Cruz Vermelha - incluindo Choucino, o ex-vice - foram diretores do Ciap.

O ex-presidente nacional não quis falar sobre o e-mail e disse que não votou em Lacorte para substituí-lo.

Procurado, Lacorte disse: "Isso [o e-mail] foi devaneio do Walmir num momento de tensão".

A reportagem não localizou Choucino para comentar.
 

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