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Da Redação ·

Democratas destacam afinidade de Obama com a classe média





Por Luciana Coelho, Enviada especial

CHARLOTTE, CAROLINA DO NORTE, 6 de setembro (Folhapress) - Um sujeito que entende os problemas da classe média porque os viveu, e portanto é mais apto a resolvê-los do que seu rival, blindado por uma suposta bolha de riqueza.

É esse Barack Obama que a convenção democrata tenta "vender" em Charlotte, sublinhado hoje no discurso do ex-presidente Bill Clinton --que resgataria a retórica do individualismo x coletivismo.

"A pergunta mais importante é em que país você quer viver", diria Clinton, segundo trechos antecipados.

"Se é uma sociedade do cada um por si, em que o vencedor leva tudo, você tem de apoiar a chapa republicana. Se quer um país no qual a responsabilidade é dividida --estamos todos no mesmo barco--, você deve votar em Barack Obama e Joe Biden."

Clinton (1993-2001), 69% de popularidade segundo o Gallup, seria o mais direto entre os oradores principais.

Antes dele, o partido convocara a primeira-dama, o ex-chefe de gabinete de Obama e sua nova estrela para falar do peso da vivência do presidente em suas decisões.

"Vi como as questões que chegam à mesa de um presidente são sempre as difíceis", disse Michelle Obama na noite de terça, um discurso elogiado da direita à esquerda por sua sutileza e eficácia.

"Na hora da decisão, o que te guia são seus valores, sua visão e a experiência de vida que faz de você aquilo que é."

Em 25 minutos, a primeira-dama alinhavou a história do casal e a relacionou a cada problema da classe média e às principais ações do governo do marido.

É um Obama distinto daquele apresentado em 2008 a partir da origem exótica e história de vida fantástica.

"O que não se sabe sobre Obama?", indagava a jornalistas Antonio Villaraigosa, presidente da convenção. "Celebramos um presidente que nos guiou pela maior crise econômica desde os anos 30, salvou a indústria automotiva e reformou a saúde."

Em nenhum momento de seu discurso, Michelle (que se apresentou como "mãe em chefe", usou a palavra "amor" 15 vezes e narrou cenas do namoro) citou o rival do marido, Mitt Romney.

Mas a evocação ficou implícita nos contrastes, na afirmação de que os Obama acreditam que todos devem ter a mesma chance de realizar o "sonho americano" ou na de que batalharam (Romney tem estimados US$ 250 milhões).

Oradores como Julián Castro, o jovem prefeito de San Antonio escalado para fazer o discurso principal do evento, e Rahm Emmanuel, o ex-chefe de gabinete de Obama que hoje é prefeito de Chicago, reforçaram essa imagem.

Para garantir a mensagem, não faltaram ataques diretos.

Na terça, o senador Harry Reid voltou a lançar dúvidas sobre os impostos de Romney (ele diz ter pago todos), e hoje funcionários de empresas administradas pela Bain Capital, a consultoria do republicano, relatariam casos de demissões em massa.

 

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