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Amo meu país, mas odeio Putin, diz na prisão líder da banda Pussy Riot

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 3 de setembro (Folhapress) - Uma das integrantes da banda de rock russa Pussy Riot afirmou amar a Rússia, mas odiar o presidente Vladimir Putin, em entrevista publicada hoje pela revista alemã "Der Spiegel". Nadejda Tolokonnikova, 22, foi condenada a dois anos de prisão após a banda fazer um show não autorizado em uma igreja de Moscou. No concerto, o grupo tocou uma música que dizia "Virgem, mãe de Deus, livrai-nos de Putin". "Amo a Rússia, mas odeio Putin. A Pussy Riot quer uma revolução na Rússia", disse Tolokonnikova. Considerada a líder do grupo, Tolokonnikova respondeu por escrito às perguntas da revista, que as recebeu através de um dos advogados da jovem. O semanário mostrou uma foto das respostas manuscritas da cantora. "O sistema Putin não pertence ao século 21, lembra muito as sociedades primitivas ou os regimes ditatoriais do passado", afirma. Ela diz que não se arrepende do ato, que foi considerado pela Justiça vandalismo com agravante de ódio religioso. "Não me arrependo de nada. No fim das contas, acho que o julgamento contra nós era importante, pois mostrou o verdadeiro rosto do sistema Putin." "Este sistema proferiu uma sentença contra si mesmo, ao nos condenar a dois anos de prisão sem que tivéssemos cometido crime algum. Isto certamente me alegra", afirma a jovem. No pasarán No julgamento, realizado em 17 de agosto, a jovem vestia uma camiseta com o lema "No pasarán!" (Não passarão), usado pelos comunistas contra os fascistas durante a Guerra Civil Espanola. "Luto para que minha filha (de 4 anos) cresça em um país livre", reforça, avaliando que o julgamento foi "a vingança de Putin". Além de Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevich, 30, Maria Alejina, de 24 anos, foram condenadas por um tribunal de Moscou a dois anos de prisão cada uma. A uma pergunta sobre as condições na prisão, a cantora afirma que são suportáveis. "Apesar de tudo, é uma prisão russa com todo o seu encanto soviético. Não houve muito progresso: a prisão é uma mistura de quartel e de hospital." "Somos acordados às seis da manhã, em seguida tomo o café da manhã, depois é a hora do passeio no pátio. No resto do dia, escrevo ou leio, por exemplo, nestes dias, a Bíblia e as obras do filósofo marxista esloveno Slavoj Zizek", descreve. "A falta de liberdade de movimento não restringe a liberdade de pensar", conclui.  

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