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Índios ocupam Ministério da Saúde e pedem melhorias na região Sul

Da Redação ·
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Aproximadamente 80 indígenas das etnias Kaingang, Guarani e Charrua ocuparam na manhã desta sexta-feira (29) a Secretaria Especial da Saúde Indígena (SESAI), no Ministério da Saúde, em Brasília. Com o intuito de garantir a melhoria da saúde indígena da região sul, os indígenas pretendem desocupar o local depois de um posicionamento do órgão indigenista, da 6º Câmara ou do próprio Ministro diante do Ministério Público Federal (MPF).
Os caciques e lideranças divulgaram hoje na imprensa nacional uma carta de denúncia elaborada entre caciques e as próprias lideranças da região Sul, do qual o documento reivindica a solução para o abandono da saúde por parte do governo Federal em várias estâncias. Segundo o grupo, a política de desenvolvimento adotado pelo atual governo, não tem respeitado os direitos fundamentais das comunidades indígenas e em todos os setores que abrangem a área.  
Para uma das lideranças da região do Rio Grande do Sul, Claudemir Kaingang, a expectativa é que todas as reivindicações sejam atendidas. “A reivindicação não é apenas da região, sul e o sofrimento é de todos os índios. Então, queremos que resolvam o quanto antes esta audiência com o ministro para que a gente não tenha que permanecer por mais dias aqui no 4º andar do Ministério da Saúde”, declara.
Entre as necessidades reivindicadas para a proposta de convênios está a aquisição de leite em pó, alojamento para pacientes em trânsito, farmácia para a aquisição de medicamentos fora da lista básica, aquisição e manutenção de material e equipamentos médicos de enfermagem e odontológico, ampliação de centros de saúde, melhoria salarial dos profissionais, entre tantas outras questões primordiais para que de fato possa haver a devida atenção dos órgãos responsáveis pela saúde indígena.
Para o Coordenador político da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, Cretã Kaingang, a atual situação da saúde é uma calamidade e as pessoas responsáveis por garantir esse direito devem respeitar as comunidades. Cretã ressalta ainda que a ocupação do Ministério da Saúde é a única forma de chamar a atenção da população e dos próprios políticos para o descaso com as famílias. “É necessário que se faça essa implementação de políticas públicas para a saúde indígena”, afirma.
Para a primeira cacica representante geral dos Charrua, do Rio Grande do Sul, Acuabe, o grupo só vai acreditar em algum posicionamento do governo, após um documento oficial firmado para que as negociações não fiquem apenas na conversa. “Querem conversa achando que o índio é burro, mas o índio é inteligente. Então a minha colocação como cacica junto com as outras etnias é que não vamos entregar o prédio e não vamos cair nesta conversa. A gente ocupou um espaço que é nosso de direito. E eu já perdi a minha neta, mãe e meu pai pela falta de atenção”.
Perspectivas -  Durante a ocupação do 4º andar do Ministério da Saúde, onde fica localizado a Secretaria responsável pela saúde indígena (SESAI), simultaneamente na região sul, diversos espaçosa públicos da SESAI estão sendo ocupados para que haja uma atenção redobrada dos funcionários da entidade para as comunidades indígenas. Também foram interditadas as principais BRs e RSs da região Sul e serão liberadas após a reunião entre o Ministério da Saúde e as comunidades indígenas da Região Sul.