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Presidente da Câmara rejeita plano de déficit de Obama

Da Redação ·
Presidente da Câmara rejeita plano de déficit de Obama
fonte: Arquivo
Presidente da Câmara rejeita plano de déficit de Obama

O presidente da Câmara dos Deputados americana, o republicano John Boehner, rejeitou nesta segunda-feira o plano divulgado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de US$ 3 trilhões para reduzir o déficit do país, dizendo que ele não lida com problemas de longo prazo e irá elevar impostos.

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Em comunicado, Boehner, o principal republicano do Congresso, disse que Obama "não fez uma contribuição séria" para os esforços de um comitê parlamentar bipartidário que tem a função é de fazer recomendações para reduzir o déficit em US$ 1,2 trilhão em 10 anos. Boehner acrescentou que a proposta do presidente não lida com os problemas financeiros para a saúde federal e os programas de aposentadoria, além de insistir em elevar impostos.

Obama apresentou um plano para cortar US$ 4 trilhões do déficit público, e disse que, para cumprí-lo, "todos contribuirão com sua justa parte", incluindo os mais ricos. "Não deveríamos reduzir o déficit à custa dos pobres e dos trabalhadores", acrescentou o presidente, em discurso nos jardins da Casa Branca. Se não houver uma ação agora, "toda a dívida cairá sobre os ombros de nossos filhos", ressaltou o governante.

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Obama anunciou que grande parte do reequilíbrio virá de uma maior pressão fiscal sobre as rendas mais altas, e da aplicação de um princípio muito simples: "que a secretária do senhor Warren Buffett não pague mais impostos que o senhor Buffett", em alusão ao detentor de uma das maiores fortunas do país, que reconheceu que paga menos que sua funcionária. O presidente advertiu também que vetará qualquer lei para a redução do déficit que a maioria republicana na Câmara baixa pretenda aprovar.

Obama negou que sua intenção de aumentar os impostos dos mais ricos, por meio da introdução de um imposto mínimo para as rendas dos multimilionários, equivalha a uma "luta de classes", como afirmaram alguns dirigentes do partido republicano. É apenas "matemática", replicou Obama.

O plano que foi apresentado nesta segunda pelo presidente será submetido ao "supercomitê" bipartidário, composto em partes iguais por congressistas democratas e republicanos, que têm a obrigação de chegar a um acordo sobre a redução do déficit em pelo menos US$ 1,5 trilhão até o fim de novembro.

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As propostas de hoje incluem uma economia de US$ 1,3 trilhão com o final da intervenção militar dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque e com as reformas dos subsídios agrícolas e do seguro de saúde, mas deixam intacto o sistema público previdenciário. Na semana passada, Obama apresentou um plano de quase US$ 450 bilhões para a criação de empregos, e ressaltou hoje que o Congresso "deve aprovar" essa legislação imediatamente.

Entenda No auge da crise de crédito, que se agravou em 2008, a saúde financeira dos bancos no mundo inteiro foi colocada à prova. Os problemas em operações de financiamento imobiliário nos Estados Unidos geraram bilhões em perdas e o sistema bancário não encontrou mais onde emprestar dinheiro. Para diminuir os efeitos da recessão, os países aumentaram os gastos públicos, ampliando as dívidas além dos tetos nacionais. Mas o estímulo não foi suficiente para elevar os Produtos Internos Brutos (PIB) a ponto de garantir o pagamento das contas.

Os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - no último dia 16 de maio. Na ocasião, o Tesouro usou ajustes de contabilidade, assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando normalmente. O governo, então, passou por um longo período de negociações para elevar o teto. O acordo veio só perto do final do prazo (2 de agosto) para evitar uma moratória e prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões). Mesmo assim, a agência Standard & Poor's retirou a nota máxima (AAA) da dívida americana.