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Filho de Kadhafi afirma que regime 'não abandonará a luta' na Líbia

Da Redação ·
 Milhares de líbios saíram às ruas neste sábado (20) na cidade de Benghazi para comemorar o que os rebeldes estão chamando de primeiro levante contra o regime de Kadhafi
fonte: Gianluigi Guercia/AFP
Milhares de líbios saíram às ruas neste sábado (20) na cidade de Benghazi para comemorar o que os rebeldes estão chamando de primeiro levante contra o regime de Kadhafi

Seif al-Islam Kadhafi, um dos filhos do líder líbio Muamar Kadhafi, afirmou que o regime de Trípoli "não abandonará a batalha", pedindo que a rebelião dialogue, em um discurso divulgado no início deste domingo (21) pela televisão oficial.

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"Estamos em nossa terra e em nosso país. Resistiremos por seis meses, um ano, dois anos. E venceremos", declarou Seif al-Islam diante de dezenas de jovens em um discurso pronunciado no sábado (20).

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"Não nos submeteremos, não abandonaremos a batalha. Essa não é uma decisão de Seif al-Islam ou de Kadhafi, é a decisão do povo líbio", prosseguiu, acrescentando que "sua família pagou o preço, como todos os líbios". Ele, no entanto, convocou a rebelião para um diálogo: "se vocês querem a paz, estamos prontos", afirmou, lembrando ter supervisionado a elaboração de um projeto de Constituição.

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Invasão de rebeldes
No sábado, após testemunhas relatarem explosões e rajadas de tiros em diversos bairros de  o ministro da Informação do governo líbio, Moussa Ibrahim, confirmou que "pequenos" grupos de rebeldes invadiram a capital do país, mas foram detidos por tropas pró-Khadafi.

Segundo Ibrahim, Muammar Kadhafi continua governante do país e a capital Trípoli está protegida. Ele afirmou que entre os presos há argelinos, tunisianos e egípcios. Os comentários foram mostrados pela televisão estatal.

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A mesma televisão transmitiu horas depois, em tempo real, um pronunciamento de Muammar Kadhafi parabenizando os líbios pela "eliminação dos ratos" (em referência aos rebeldes) e ainda acusou o presidente francês, Nicoláz Sarkozy, de ser responsável pelos ataques.
 

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Um representante do grupo de rebeldes disse que há confrontos com as forças do governo próximos à base militar Mitiga e que "existe um número desconhecido de rebeldes mortos no distrito de Tajourah e que há bairros sem eletricidade".

Abdel Hafiz Ghoga, número dois do Conselho Nacional de Transição, que reúne os opositores da ditadura, disse que "as próximas horas serão cruciais" no combate contra o governo atual.

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Segundo Ghoga, o conselho apoia os rebeldes que cercam Trípoli e que muitos comandantes e apoiadores de Kadhafi fugiram da capital.

Mais cedo, um porta-voz do governo afirmou que os conflitos estariam sendo controlados.

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Apelo
O ministro da Informação aproveitou o pronunciamento na televisão para renovar o apelo aos rebeldes para que se rendam, dizendo que seriam perdoados mesmo que "matassem nossos parentes".

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"Eu garanto aos líbios que Kadhafi é o seu líder e que Trípoli está cercada por milhares de pessoas para defendê-la", disse o ministro.

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Várias explosões e trocas de tiros intensas foram ouvidas neste sábado na capital líbia, enquanto testemunhas indicaram a existência de "confrontos" em alguns bairros da cidade.

Trocas de tiros com armas leves eram ouvidas no centro da capital, após o fim do jejum. Moradores afirmaram que os "enfrentamentos" estavam sendo travados, principalmente, nos bairros de Soug Jomaa e Arada, no leste da capital.

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Cidade controlada
Mais cedo, os rebeldes líbios afirmaram que retomaram o controle de toda a cidade de Brega, cenário de violentos combates há semanas na frente leste do país, depois de terem se apoderado das instalações petroleiras locais.

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"A zona industrial (de Brega) se encontra sob nosso controle. Toda Brega está agora sob nosso controle", afirma um comando militar da insurgência. "As forças de Kadhafi estão se retirando para o oeste", indicou.

Depois de meses de estancamento na frente leste, os insurgentes lançaram no final de julho uma ofensiva contra Brega, um posto avançado das forças leais a Muammar Kadhafi no leste do país.
 

Investigação
O governo de Muammar Kadhafi  pediu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, a formação de uma "comissão de alto nível" para investigar supostos abusos cometidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), informou a agência de notícias estatal Jana, no sábado.

Aviões da Otan têm bombardeado a infra-estrutura militar do governo da Líbia, dando apoio aos rebeldes que lançaram, há seis meses, uma ofensiva para retirar o ditador Muammar Gaddafi do poder. Segundo a agência, o primeiro-ministro líbio, Al Baghdadi Ali Al-Mahmoudi, falou com o secretário-geral da ONU por telefone neste sábado, e Ban prometeu estudar a proposta.

Mahmoudi pediu por "uma delegação de alto nível para visitar a Líbia assim que possível e observar de perto os abusos (da Otan) e o que está acontecendo no país", relatou a Jana.

Mahmoudi pediu a Ban para que o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, faça parte da delegação, acrescentou a agência oficial líbia.

*Com informações da Reuters, France Presse e Associated Press