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Índios bolivianos protestam contra rodovia financiada pelo Brasil

Da Redação ·
Estrada terá mais de 300 quilômetros entre a Amazônia e o centro da Bolívia
fonte: EFE/odiaonline
Estrada terá mais de 300 quilômetros entre a Amazônia e o centro da Bolívia

La Paz (Bolívia) - Grupos indígenas bolivianos e organizações de moradores das cidades de El Alto e Potosí iniciaram ontem (16) diversas passeatas de protesto para pressionar o Governo do presidente Evo Morales contra a construção de uma estrada financiada pelo Brasil.

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O maior conflito foi iniciado por 500 índios do ocidente e do oriente que começaram uma passeata na cidade amazônica de Trinidad, que percorrerá durante um mês 500 quilômetros rumo a La Paz, para exigir que Morales detenha a construção da estrada que atravessará o território de uma reserva natural.

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No entanto, o governante está decidido a levar adiante as obras da estrada que atravessará o Parque Nacional e Territorio Indígena Isiboro-Secure (Tipnis) porque a considera fundamental para a integração do país, ao unir as regiões de Cochabamba (centro) e Beni (nordeste).

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Trata-se de um parque criado em 1965 e reconhecido desde 1990 como território das etnias mojeña, yucararé e chimán, em uma superfície de 12 mil quilômetros quadrados, que possui uma rica fauna e flora, mas que está ameaçada pelos produtores de coca da região de Chapare, onde ficam as bases sindicais de Morales.

Antes de começar a caminhada, o dirigente do Conselho de Ayllus y Markas del Qollasuyo, o aimara Rafael Quispe, destacou a aliança entre as etnias do planalto e as amazônicas "para fazer respeitar seus direitos, a Mãe Natureza e o território". As tribos e os ativistas ambientais contestaram o líder por contradizer seu discurso ambientalista, pelo qual foi inclusive reconhecido pelas Nações Unidas, cuja Assembleia Geral declarou-o há dois anos Herói Mundial da Mãe Natureza.

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A estrada em questão terá mais de 300 quilômetros entre a Amazônia e o centro do país e demandará um investimento de US$ 415 milhões, dos quais US$ 332 milhões são financiados pelo Brasil. A passeata indígena foi apoiada em La Paz por cerca de 400 jovens ambientalistas que protestaram em frente à embaixada brasileira e tentaram chegar à praça Murillo, onde fica o Palácio de Governo, embora seu acesso tenha sido bloqueado pela Polícia.

El Alto, vizinha de La Paz e uma das cidades mais pobres do país, amanheceu parcialmente paralisada por moradores que iniciaram uma greve sem tempo definido para reivindicar que não se postergue o censo demográfico previsto para este ano, porque esperam que os resultados desse estudo garantam mais recursos a esse município.