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Morre José Maria Marin, ex-presidente da CBF, aos 93 anos

Ele comandou o futebol brasileiro entre 2012 e 2015

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Morre José Maria Marin, ex-presidente da CBF, aos 93 anos
Autor José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol - Foto: Agência Brasil

José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, morreu na madrugada deste domingo, aos 93 anos. O ex-dirigente passou mal em casa na noite de sábado e foi levado ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde não resistiu. A informação foi confirmada pelo Estadão.

Nos últimos meses, Marin enfrentava problemas de saúde, tendo sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) no fim de 2023, que agravou seu quadro delicado e o manteve sob cuidados médicos contínuos. Marin viveu de maneira reservada na capital paulista durante os últimos anos. O velório está marcado para este domingo, entre 13h e 16h, na Funeral Home, em São Paulo.

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O ex-dirigente teve uma trajetória marcada por polêmicas no futebol brasileiro. Além da carreira esportiva, Marin teve atuação política nos anos 1980 como deputado estadual, vice-governador e, por breve período, governador de São Paulo. Também presidiu a Federação Paulista de Futebol entre 1982 e 1988.

TRAJETÓRIA POLÍTICA MARCADA POR ASCENSÃO E POLÊMICAS

Marin construiu uma longa carreira política antes de chegar à presidência da CBF. Filho de imigrantes espanhóis, teve infância humilde e conciliou a carreira como jogador amador de futebol com os estudos de Direito na USP. Em 1963, foi eleito vereador pelo Partido de Representação Popular (PRP). Já filiado à Arena, partido ligado ao regime militar, tornou-se presidente da Câmara Municipal de São Paulo em 1969.

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Na década de 1970, exerceu dois mandatos como deputado estadual e, em 1978, foi eleito vice-governador de São Paulo. Entre 1982 e 1983, assumiu o governo do Estado por cerca de dez meses, substituindo Paulo Maluf, a quem era associado e do qual recebeu críticas intensas, sendo chamado de "irmão siamês". Seu governo foi marcado por polêmicas, incluindo a reprovação das contas e suspeitas envolvendo empréstimos da Caixa Econômica Estadual.

Após deixar o Palácio dos Bandeirantes, Marin voltou ao futebol como presidente da Federação Paulista entre 1982 e 1988. Tentou um retorno à política em 2002, ao concorrer ao Senado, mas obteve apenas 0,2% dos votos válidos. Apesar disso, manteve influência na administração esportiva, com seu filho ocupando cargos na Federação Paulista e na CBF.

A atuação política do ex-dirigente foi fundamental para consolidar sua influência no futebol nacional. Sua proximidade com o poder estadual e as articulações nos bastidores facilitaram sua ascensão nos órgãos dirigentes do futebol paulista e, posteriormente, na CBF. Contudo, sua imagem pública ficou marcada tanto pelo prestígio conquistado quanto pelas controvérsias que o acompanharam, reflexo das complexas relações entre política e esporte no Brasil nas últimas décadas.

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LIGAÇÕES COM O ESPORTE

A ligação de Marin com o esporte foi de berço. Seu pai, Joaquín Marin y Umañes, era boxeador, conhecido como Jack, o Terrible. Marin também foi jogador de futebol amador e, entre 1949 e 1954, atuou nos aspirantes do São Paulo FC e em clubes menores como São Bento de Marília e Jabaquara. Pelo São Paulo, disputou dois jogos oficiais e marcou um gol.

ESCÂNDALO FIFAGATE E A QUEDA

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Em 2012, Marin assumiu a presidência da CBF após a renúncia de Ricardo Teixeira, que comandava a entidade havia 23 anos. Seu mandato, porém, ficou marcado por investigações de corrupção que abalaram o futebol mundial.

Em 2015, Marin foi preso na Suíça durante uma operação do FBI que investigava um esquema global de suborno e lavagem de dinheiro na Fifa, conhecido como Fifagate. Acusado de receber propinas em troca de contratos relacionados a eventos esportivos, o ex-dirigente foi extraditado para os Estados Unidos, onde foi julgado e condenado à prisão.

Após cumprir parte da pena, Marin foi autorizado a retornar ao Brasil em 2020, onde permaneceu em prisão domiciliar devido a problemas de saúde agravados pela pandemia de Covid-19. Durante esse período, vendeu bens para arcar com custos da defesa e da prisão domiciliar, entre eles uma mansão no bairro Jardim Europa, em São Paulo.

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