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Lenda do vôlei e campeão olímpico, Zé Roberto Guimarães explica amor pelo hipismo

Da Redação ·

José Roberto Guimarães é considerado uma lenda no vôlei. Tricampeão olímpico comandando o Brasil e que recentemente conquistou a medalha de prata com o time feminino nos Jogos de Tóquio, ele é reconhecido como um dos melhores técnicos do mundo na modalidade. Nas horas vagas, costuma também jogar tênis, uma de suas paixões. Mas o que poucos sabem é que ele pratica hipismo e tem um fascínio por cavalos. Mas do que gostar, ele põe sua paixão em prática.

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Quando o treinador teve uma folga em sua apertada agenda na Olimpíada há dois meses, ele pediu para conhecer as instalações de hipismo em Tóquio. Tirou fotos com atletas e cavalos, incluindo Rodrigo Pessoa. "Uma das únicas coisas que pedi para o pessoal do COB (Comitê Olímpico do Brasil) foi poder ir ao hipismo. Me arrumaram uma credencial e consegui entrar nas baias. Foi uma emoção fantástica, pois eu amo esse mundo do cavalo", comenta o treinador, que prestigiou a abertura do CSI- W Indoor 2021 na Sociedade Hípica Paulista.

Enquanto falava de sua relação com os animais, Zé Roberto pegava o celular e mostrava as fotos que tirou lá no Japão. Ele lembra que desde criança tem relação próxima com os animais. "Eu sou do interior de São Paulo, de Quintana. Na minha casa sempre teve isso. Meu avô tinha um sítio, meu pai sempre andou a cavalo, acho que está no DNA da família. Meu irmão mais novo trabalha com hipoterapia há quase 30 anos", conta.

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Mas por causa de seu trabalho no vôlei, ele ficou muito tempo afastado dos cavalos, principalmente quando se mudou para São Paulo. "Depois, quando me mudei para Barueri, comecei a ficar mais próximo e um dia, quando fui fazer uma palestra na Amil, eu pedi para conhecer o Dr. Jorge Ferreira da Rocha, que era o presidente na época. Eu tinha visto numa revista que ele fazia adestramento clássico e competia pelo Brasil. Então pedi para me apresentarem a ele."

O contato com o fundador da Amil foi fundamental para Zé Roberto. Ambos conversaram sobre a paixão pelos cavalos e o técnico de vôlei explicou que queria montar com mais técnica, pedindo ajuda. Além de médico, Jorge Ferreira da Rocha foi um ótimo cavaleiro e chegou a representar o Brasil nos Jogos de Sydney, em 2000.

"Então ele falou que me ajudava e me convidou para ir até o haras. Disse que tinha uma pessoa lá que poderia me ajudar. Era a Marietta Almasy, e lá comecei meus primeiros passos no adestramento. Aí comecei a montar com mais frequência, só que nunca consegui ter tempo para montar por causa do vôlei", continua Zé Roberto.

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Ele sempre teve cavalo e, certa vez, na fazenda de um amigo em Castilho, cidade no interior paulista, na região de Araçatuba, próximo à divisa com o Mato Grosso do Sul, um cavalo veio do pasto ao seu encontro. Esse amigo comentou que aquele era um dos melhores cavalos que já tinha nascido ali para adestramento. O animal tinha ótimos andamentos.

"Aí sugeri de levar o cavalo para treinar. Acabei me tornando sócio do Tonico Pereira, levei para o haras do Dr. Jorge, e esse cavalo começou a treinar, a evoluir, e começou a competir dentro do Brasil até que foi vendido em um leilão. O Paulo Salles comprou o animal, o Oceano do Top, e se classificou para os Jogos de Pequim. Ele ficou em 43º lugar com o Leandro Silva. Mas aí eu já não conseguia mais montar esse cavalo, porque poderia atrapalhar o desenvolvimento dele. Então a vida seguiu, comecei a me interessar por saltos, a treinar um pouco mais, aí minha vida foi para esse lado."

PRATA NO MASTER - Com a pandemia de covid-19, as competições foram suspensas e com isso Zé Roberto teve a chance de se dedicar mais aos saltos. "Todos os dias estava em cima do cavalo. Até que meu professor em Alphaville ofereceu para eu competir no torneio Brasileiro, que foi onde acabei me tornando vice-campeão master", comemora, citando o evento que foi realizado em setembro do ano passado.

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O treinador sabe que o hipismo permite uma longevidade maior para os atletas e existem casos de idosos competindo na Olimpíada. Mas Zé Roberto não pretende se aventurar mais seriamente em uma nova modalidade. "É outro esporte, eu não tenho gabarito para isso. Precisa começar a montar cedo, para aprender, competir e ganhar experiência. Para ser profissional da área, precisa ter um cavalo excepcional e ter treinado durante muito tempo. É a mesma coisa no vôlei, precisa começar com 12 ou 13 anos e participar de grandes competições", compara.

Ao mesmo tempo em que vê sua relação com os cavalos ficar mais estreita, Zé Roberto já começa a projetar o próximo ciclo olímpico do time feminino de vôlei. Ele sabe que ainda tem um caminho a percorrer até Paris-2024, mas acredita que o grupo renovado ganhou força com a medalha de prata nos Jogos de Tóquio e espera fazer com que as jogadoras evoluam ainda mais nos próximos anos para novamente brigar pelo pódio.

"Antes da Olimpíada tem Campeonato Mundial, outras competições, então tem muita coisa para acontecer. Espero que dê tudo certo e que a gente consiga completar o ciclo da melhor maneira possível. Quero construir esse time para Paris", avisou o tricampeão olímpico, que pretende continuar à frente da seleção. "Nós vamos ter um bom time, com jogadoras jovens que vão aparecer, de muito potencial, que vão ter chance de jogar pela seleção nacional. Mas, como todos os treinadores, eu também vivo de resultados."