Esportes

Fuso horário será o desafio das TVs nas transmissões da Olimpíada

Da Redação ·

O desafio das três emissoras brasileiras que possuem os direitos de transmissão dos Jogos de Tóquio será trabalhar com o fuso horário desfavorável de 12 horas e fazer uma cobertura diante das grandes restrições impostas pela pandemia. Pequim-2008 foi parecido, mas não tinha covid-19. Profissionais da Globo, SporTV e BandSports estão no Japão e uma outra grande parte ficou no Brasil para dar suporte ao trabalho. Geralmente, todos embarcam na aventura. Desta vez, não.

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Segurar o torcedor acordado na madrugada não será fácil. As atrações esportivas ainda têm um outro problema: a falta de público nas arenas. Quando os estádios e os ginásios estão lotados, com torcedores animados e de toda parte do mundo, há muito mais interesse em ficar diante da TV acompanhando a festa. Não será assim em Tóquio, como todos sabem. O Comitê Olímpico Internacional (COI), com seus pares na organização do evento, decidiu tirar o público de cena por causa da pandemia. Isso que dizer que as imagens e o som vindos das provas não serão como nas outras edições. O foco, portanto, será no atleta, seus gestos e suor.

O esporte mundial conviveu com isso durante os últimos quinze meses, com o silêncio dos estádios e das arenas, principalmente no futebol, mas também em outras modalidades. Tóquio não quis correr riscos.

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Segundo Renato Ribeiro, diretor de conteúdo do Esporte da Globo, essa edição da Olimpíada será multiplataforma. "A edição já nasce histórica por todo seu contexto. Veremos nos atletas a representação da resiliência, superação, emoção, força de vontade, da própria união dos povos em um tempo tão difícil. Mas são muitos os desafios, de saúde, logísticos e de tecnologia", diz. "Os desafios impostos pela pandemia são grandes. Nosso desafio é que não causem impacto na qualidade da entrega de conteúdo", diz.

A pandemia provocou uma mudança de rumo na cobertura do Grupo Globo. A primeira delas foi reduzir o número de profissionais em Tóquio, credenciando apenas um time imprescindível para realizar a cobertura in loco: 53, mas com quase 500 profissionais no total, incluindo os que ficaram no Brasil. Outra mudança sensível foi tirar o projeto do estúdio na Baía de Tóquio e levá-lo para o Rio de Janeiro, a mais de 18 mil quilômetros de distância.

"A ideia é que o público se sinta em Tóquio. Será um estúdio com tecnologia, com quase 80 metros quadrados de telões de LED em uma amplitude de 270º. Usaremos realidade virtual e teremos três câmeras na sede dos Jogos, transmitindo ao vivo imagens para o estúdio. Quando for noite no Japão, é essa a imagem que o público verá. Não vamos dizer que estamos em Tóquio, mas o estúdio será uma janela virtual para termos a sensação de estar lá", revela.

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O Grupo Globo vai ter muitos comentaristas. Se antes da pandemia a quantidade era mais limitada, por custos de viagem e número de credenciais, agora esses especialistas poderão participar da cobertura no Brasil mesmo. "Convidamos mais de 100 ex-atletas de 50 modalidades olímpicas para estarem na cobertura", diz Ribeiro.

COBERTURA OLÍMPICA - Outra opção para o telespectador será o BandSports, que foi fundado em 2002 e vai para sua quinta Olimpíada consecutiva. É canal fechado. Até por isso, o investimento tem sido grande para fazer uma ótima cobertura. "O desafio é poder levar para o assinante o que de melhor estiver acontecendo na madrugada. Por causa do fuso horário, precisamos fazer uma programação jornalística que seja atraente para segurar o telespectador ao longo do dia também", diz Denis Gavazzi, da BandSports.

Nesta semana, a emissora virou um "canal olímpico", com toda a programação voltada para os Jogos de Tóquio. Nomes como o ex-jogador de futebol Neto (que foi prata nos Jogos de Seul, em 1988), Henrique Guimarães (judô) e Marcelo Negrão e Fofão (vôlei) estão entre seus comentaristas. "É um time muito forte", diz Gavazzi.

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A meta do BandSports é ter 24 horas de Olimpíada por dia, sendo metade delas com transmissões ao vivo e a outra parte com programas de análise e notícias.

A TV Globo terá mais de 200 horas de transmissões, enquanto o assinante do SporTV, com quatro canais voltados para os Jogos, estarão 840 horas no ar.