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Chefe da Red Bull celebra popularidade da F-1 e quer VAR contra novas polêmicas

Da Redação ·

Uma das principais lideranças da Fórmula 1 na atualidade, o britânico Christian Horner vive grande fase na categoria. Ele comanda a Red Bull, uma das maiores potências do campeonato e atual campeã do Mundial de Pilotos, com Max Verstappen. E, enquanto ainda vibra por ter acabado com a hegemonia da Mercedes em 2021, vislumbra novas conquistas para o seu time. Afinal, a Red Bull mostrou neste início de temporada que é novamente favorita ao título, desta vez também no Mundial de Construtores.

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De quebra, Horner coloca a equipe no topo num momento em que a F-1 voltou a ganhar popularidade, principalmente entre os mais jovens por conta do sucesso da série "Drive To Survive", da Netflix. Em entrevista exclusiva ao Estadão, ele celebra esse crescimento do campeonato, comenta sobre a sua rivalidade com Toto Wolff, da Mercedes, e faz uma sugestão à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para evitar novas polêmicas, como a que aconteceu na decisão do título do ano passado, entre Verstappen e o britânico Lewis Hamilton.

"A FIA poderia introduzir um sistema parecido com o VAR, do futebol, na Fórmula 1", disse o britânico à reportagem, em evento virtual promovido pela PokerStars, nova patrocinadora da Red Bull. O sistema, na avaliação de Horner, teria evitado a confusão na última corrida do ano, em Abu Dabi, quando Verstappen ultrapassou Hamilton na volta final e faturou seu primeiro título na F-1. Na ocasião, o então diretor de provas da FIA, Michael Masi, sofreu duras críticas pelas decisões que acabaram colocando o holandês na cola do britânico após a saída do safety car da pista - antes da intervenção, Hamilton tinha 11 segundos de vantagem sobre o rival e alguns retardatários entre eles.

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Aos 48 anos, Horner, que vem a ser casado com a ex-Spice Girls Geri Halliwell desde 2015, já soma cinco títulos do Mundial de Pilotos da F-1 em seu currículo e quatro do Mundial de Pilotos, todos eles comandado o alemão Sebastian Vettel como então principal piloto da Red Bull, entre 2010 e 2013.

O que achou dos novos carros da F-1?

Acho que os carros são bem diferentes, se comportam de forma bem diferente. Vamos precisar de algumas corridas para otimizar nossa performance. E acredito que as corridas deste ano serão muito empolgantes. Estamos competitivos, assim como a Ferrari. Temos uma nova dinâmica neste campeonato.

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Com os novos carros, você espera que a F-1 já se torne mais equilibrada neste ano?

Sim, com certeza. Porque temos um teto de gastos agora e neste ano tudo será mais difícil por isso. Todas as equipes precisaram se enquadrar dentro do teto. A questão é como você consome o seu orçamento enquanto está colocando ele em prática. Como você vai conseguir desenvolver seu carro com mais eficiência (dentro desta limitação)? São desafios diferentes do que tínhamos antes. E será fascinante ver como os times vão lidar com isso durante toda a temporada. E uma consequência disso é que agora temos equipes, como a Haas e a Alfa Romeo, que estão mais competitivas do que nos últimos anos.

Ferrari e Red Bull são as grandes forças desta temporada?

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Nós trabalhamos muito duro para ter o número 1 em nosso carro neste ano. E estamos muito determinados em mantê-lo conosco. Mas não subestimamos nenhum dos nossos adversários. A Ferrari estava muito forte ao longo dos testes de pré-temporada. A Mercedes teve um início problemático, mas eles vão se recuperar. E há também outros times, como a McLaren, por exemplo, que podem se tornar uma grande ameaça ao longo do ano. Acho que isso é muito empolgante para a Fórmula 1. O mais importante para nós é nos concentrarmos na performance da Red Bull para ver como estaremos no final da temporada.

A performance da Mercedes neste início de campeonato te surpreende?

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Depois dos testes da pré-temporada, pudemos ver que eles estavam um pouco para trás, o que foi surpreendente, considerando que eles fizeram mudanças precoces no carro. Mas acredito que é algo pontual. Não espero que essas dificuldades se prolonguem por muito tempo.

Você conversou com Toto Wolff sobre os episódios de rivalidade que vocês viveram ao longo do ano passado?

Não. Eu não sinto que isso seja necessário. Acho que agora estamos em um novo capítulo. Também não sei se Toto estaria aberto para uma conversa. Claro que no ano passado nossa rivalidade foi intensa e muito competitiva. Algumas vezes isso acontece nos esportes. Competitividade e rivalidade, é disso que se trata o esporte.

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Podemos esperar mais rivalidade entre vocês nesta temporada?

Isso vai depender da disputa, se nós estivermos competitivos e a Mercedes também. Estamos determinados em brigar por vitórias, na busca por defender nosso título. E vamos enfrentar todos, não apenas a Mercedes.

Não há nenhuma dúvida sobre o grande talento de Max Verstappen, mas ele é bom o suficiente para quebrar recordes e fazer história na F-1?

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Acho que Max é incrivelmente talentoso. E é claro que é muito jovem ainda. Então, a questão mais empolgante sobre ele é que ele se tornará um piloto cada vez melhor e mais forte com o pássaro do tempo. E agora ele tem essa vantagem de já ter um título no currículo, o que tira qualquer peso sobre os seus ombros.

Qual é sua opinião sobre esse novo caminho que a Fórmula 1 tomou, de maior popularidade, série na Netflix e fãs mais jovens?

A parte mais interessante disso é a entrada de uma grande quantidade de novos fãs na Fórmula 1. E isso é fantástico! Em qualquer lugar do mundo para onde vamos agora, percebemos uma alta popularidade da F-1. A série de TV engajou pessoas que provavelmente nunca assistiram a F-1 antes. Mas agora ligam a TV para ver o que está acontecendo com seu piloto ou equipe favoritos. Acho que isso tem sido super positivo para nós. Percebemos os efeitos disso em qualquer país que visitamos.

Você assiste à série?

Sim, vi todos os episódios. Claro que é preciso sempre se lembrar de que é um programa de televisão. Algumas vezes a série não reflete totalmente a realidade, mas é um bom entretenimento.

Sobre o fim da temporada passada, a FIA precisa rever algumas regras do campeonato? Ou deve manter como estava?

Acho que a FIA fez uma revisão completa de suas regras durante o inverno. Eles mudaram algumas coisas. Acho que houve muita confusão sobre as regras no ano passado. Foi um momento difícil para Michael (Masi). Ele recebeu pouco suporte. Acho que deveria ter recebido maior apoio. E também poderia introduzir um sistema parecido com o VAR, do futebol. Isso deixaria mais fácil a vida do diretor de provas e dos comissários. Precisamos deixar as regras e o regulamento mais claros, sem tanta interpretação.