Esportes

Aos 41 anos, Ricardo Oliveira se mantém na ativa em busca do 400º gol

Da Redação ·

Enquanto pedala freneticamente na bicicleta ergométrica, Ricardo Oliveira dá uma dura no filho Walisson por estar quase 40 minutos atrasado para o treino. Diz ao menino que se quiser "sair da média" e "ser diferente no meio dos iguais" terá de fazer o que ninguém faz. A cena, filmada e registrada nas redes sociais do veterano, é suficiente para entender o que pensa e por que o atacante ainda está em atividade aos 41 anos, 21 deles dedicados ao futebol.

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Ricardo é a estrela do Athletic Club, modesto time mineiro que tem um projeto ambicioso, depois de virar Sociedade Anônima do Futebol (SAF), e briga pela liderança do Estadual com Cruzeiro e Atlético-MG - é o vice-líder, atrás somente do atual campeão brasileiro e da Copa do Brasil. Ele havia acertado com o São Caetano, mas desfez o acordo após "divergências" e deixou o clube paulista sem sequer estrear.

O veterano não pensa em parar. Diz estar bem fisicamente e mentalmente para buscar o gol de número 400 e outras metas. Hoje, ostenta 387 gols em jogos oficiais por clubes e pela seleção brasileira e é o segundo maior artilheiro em atividade no futebol nacional. É superado apenas por Fred, do Fluminense. Novos recordes e a paixão pelo futebol são o que o motivam a continuar.

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"O crescimento diário contínuo ainda me move a continuar jogando futebol aos 41 anos", disse ao Estadão. "Com certeza, eu vou até o dia em que não tiver mais alegria ao levantar pela manhã ou à tarde para ir treinar". Pelo novo clube, já balançou as redes uma vez desde que chegou. Foi na goleada por 4 a 0 sobre a URT. O Athletic é de São João del-Rei.

Nesta temporada, o veterano completa 22 anos como profissional. Ricardo Oliveira foi revelado pela Portuguesa e teve uma jornada de destaque por grandes clubes brasileiros e do exterior. Na Espanha, foi bem em Betis, Zaragoza e Valencia. No Brasil, deixou saudade nos torcedores de São Paulo, Santos e Atlético-MG. Antes de se desafiar no Athletic, passou sem brilho pelo Coritiba em 2020.

Depois de romper o acordo com o São Caetano, Ricardo levou dois dias para assinar o contrato com o Athletic e retornar a Minas Gerais. O clube já havia lhe procurado antes. "Achei interessante o projeto e estar voltando para um Estado onde eu já fui feliz vestindo a camisa do Atlético-MG", explica. "Em São João del-Rei fui muito bem acolhido, sou feliz aqui".

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CEREJA DO BOLO

Gerido pela empresa V2 Participações, que detém 49% de participação no controle do Athletic, o clube tinha a ideia de trazer um camisa 9 de impacto, mas dentro de sua realidade financeira, e tentou outros dois nomes bastante conhecidos antes de acertar com Ricardo Oliveira.

"Procuramos o Rafael Moura e também fizemos contato com o Pirata (Barcos), mas a posição salarial em dólar atrapalhou o acordo", revela Vinícius Diniz, sócio-gestor do clube mineiro.

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"O Ricardo veio para ser a cereja do bolo. A cidade abraçou a ideia de ter um nome internacional. E quando veio o nome dele, ficou difícil de a gente trazer outro porque eu acho que ele completaria tanto o ponto de vista de jogador quanto o de imagem", justifica o dirigente. Sua ideia, diz, foi buscar um medalhão que potencializasse o marketing da equipe, mas que ainda desse retorno em campo. A equipe, segunda colocada do Mineiro, almeja conseguir vaga na Série D e Copa do Brasil com a boa campanha no Estadual.

Embora tenha sido contratado pelo que pode fazer em campo, fora dele Ricardo também é figura importante para o elenco comandado por Roger, ex-atacante de Corinthians, Botafogo e tantos outros times, pela experiência acumulada. Neste ano, completa 22 anos de carreira.

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"Eles acabam olhando todo o meu histórico e a carreira vitoriosa. Com certeza muitos deles acabam se aproximando de mim pedindo conselhos a respeito do futebol, da profissão e também da vida. É uma coisa que não tem como eu fugir".

EMPRESÁRIO, PASTOR, PALESTRANTE E ESCRITOR

O futebol é a primeira, mas não a única paixão de Ricardo Oliveira. O jogador é também empresário, palestrante, escritor, com livro lançado no ano passado, e pastor evangélico. Ele foi convertido aos 20 anos, na transição da base para o profissional, e nunca mais largou a atividade ministerial. "Encontrei uma direção em que eu encontrei realmente um sentido para poder viver e controlar uma vida mais quieta, mais focada", argumenta.

Ele cursou teologia e anos depois passou a ser pastor e pregar nas igrejas, espalhando mensagens bíblicas por meio de seu testemunho também com seus colegas nos clubes em que passa. "Eu amo fazer isso. De todos os títulos que eu ganhei na minha carreira profissional, o que me orgulha e me deixa muito feliz é ter sido escolhido por Deus para ser um agente na vida das pessoas", conta, orgulhoso dessa que considera uma missão.

Depois de se aposentar do futebol, Ricardo não sabe o que fará. Mas já está convencido sobre que função não quer exercer. "Tenho uma convicção que por anos eu tenho carregado comigo por ter vivido a maioria da minha vida ao lado de treinadores de futebol que não desejo ser um treinador de futebol", afirma.

O veterano não quer estar à beira do gramado, mas a ideia é continuar no futebol, como dirigente ou em outra área. "Já recebi alguns convites antes de acertar com o Athletic para ser comentarista", revela.

Ao parar de jogar, o legado que deixará, ele projeta, é, além dos gols e títulos, de amor e dedicação à profissão. "Quero marcar a vida das pessoas, não apenas passar por elas".