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Tite abandona "titês" e simplifica o linguajar

Da Redação ·
 Tite abandona "titês" e simplifica o linguajar
fonte: Júlia Cherquer
Tite abandona "titês" e simplifica o linguajar

Os bons resultados no Campeonato Brasileiro parecem ter mudado a cabeça do técnico Tite. Depois de vitórias contra Vasco, Bahia, São Paulo, Fluminense e Atlético-GO a fisionomia do treinador ficou mais leve, assim como seu linguajar.

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Em vez de expressões rebuscadas e muitas vezes incorretas, como a palavra "treinabilidade", já utilizada pelo treinador, Tite agora dá declarações com termos mais descontraídos. Após a virada sobre o Vasco na última quarta-feira (6), o comandante se excedeu ao comentar a postura ofensiva de sua equipe.

- Nosso time compete muito, atingiu um ponto bom. Com posse de bola, bota volume, agride. Não fica só marcando. O Paulinho está a toda hora chegando. O time agride, não fica só enfiando a bunda lá atrás.

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Na mesma ocasião, ele utilizou outra expressão estranha para se referir ao meia Juninho Pernambucano, que ficou muito tempo fora do futebol brasileiro.

- O Juninho é daqueles profissionais pelos quais todos ficam torcendo, mesmo não sendo do time. Mas a vontade que tinha na hora era de dar um soco na cabeça dele (risos). Foi mérito dele, que é um exímio batedor.

Porém, Tite cometeu um pequeno "deslize" no português e voltou a praticar sua própria linguagem: o "titês".

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- O Vasco cresceu, mas sem ter muita infiltração. Carecemos reter um pouco mais a bola no campo adversário.

E não foram só as palavras para a imprensa que mudaram: recentemente, o treinador admitiu que "enche o saco" dos dirigentes quando vai pedir reforços para a equipe, tornando bem claras suas atitudes para todos os espectadores.

- Tem que falar com o presidente, com o Roberto [Andrade, diretor], o Duílio [Monteiro, diretor-adjunto], o Edu [gerente]. Eles vão contar o quanto encho o saco da direção para termos novos atletas, pois é importante a qualificação do grupo.

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Na coletiva do dia 1º de julho, que ocorreu na segunda-feira posterior ao triunfo sobre o Bahia, em Salvador, Tite quis incentivar seus comandados, mas de uma forma bem inusitada.

- Os três pontos do Bahia são os mesmos dos três pontos do São Paulo. O objetivo é estar no último terço [do campeonato] brigando pelo título e, por isso, disse aos meus jogadores: "pau dentro agora".

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Porém, não tente tirar do treinador do Corinthians a palavra "equilíbrio". Com resultados bons ou ruins, o comandante insiste no termo, e até brinca com ele, lembrando da goleada sobre o São Paulo e a sofrida vitória contra o Bahia. 

- Equilíbrio [risos]. Olhei para vocês [jornalistas] antes, pois sabia que isso aconteceria, mas é o real. O Corinthians é a média do que apresentou nesses dois jogos: nem um nem outro.

Após o 5 a 0 sobre o Tricolor no dia 26 de junho, o técnico expressou sua satisfação de um jeito diferente. Segundo Tite, a vitória foi festejada uma espécie de "sorriso interno".

- Estou me segurando para não sorrir demais, pois isso pode ser interpretado como desrespeito, mas não vou nem dormir direito. Internamente, estou muito feliz. A adrenalina está bastante alta. Esse jogo ficará como um marco na minha carreira, mas sei respeitar a dor do outro lado.

Já em maio, depois de vencer o Palmeiras na semifinal do Paulista, Tite mostrava sinais de que uma nova fase de sua linguagem estaria por vir e nem a derrota para o Santos, na final, abalaria seu pensamento.