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Última temporada da F1 sem brasileiros, em 1969, teve até boicote de pilotos

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JULIANNE CERASOLI

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Pistas de quase 23km de extensão e sem muros ou guard rails, o que levou até a um boicote comandado pelo campeão Jackie Stewart, e carros perigosos, com asas que se soltavam sem dar aviso. Era assim a Fórmula 1 na época em que não havia brasileiros no grid.

O ano é 1969 e o campeonato tinha apenas 11 etapas, quase metade das 21 de 2018, e ia de março a outubro, começando na África do Sul e terminando no México, no mesmo autódromo onde é disputada a etapa mexicana hoje em dia. Aliás, além desta corrida, os outros circuitos remanescentes daquela época são Mônaco, Silverstone e Monza.

O Autódromo de Interlagos já existia há décadas, mas ainda não era utilizado pela F-1. Na verdade, pouco se sabia sobre o automobilismo do Brasil, que tivera quatro representantes na década de 1950, mais notadamente Chico Landi, piloto que Fittipaldi sempre teve como inspiração.

Foi justamente em 1969 que o brasileiro foi tentar a sorte na Europa. E, com vitórias na F-Ford e na F-3 ainda naquele ano, ele se projetou rapidamente e chegou à F-1 pilotando o terceiro carro da Lotus a partir da metade da temporada de 1970. Dali em diante, o Brasil nunca mais teve uma temporada sem representantes na categoria.

SEGURANÇA ENGATINHAVA

Se hoje se fala muito da segurança devido à introdução do halo, em 1969 o assunto também roubou a cena. O campeonato era um misto de pistas mais seguras - naquele ano, o perigosíssimo circuito de Montjuic, disputado no lugar onde hoje fica o complexo olímpico de Barcelona, se tornou o primeiro totalmente cercado por guard rails - com outros clássicos que acabaram sendo abandonados nos anos seguintes.

Eram pistas que usavam estradas europeias, em meio a árvores e muitas vezes sem barreira de proteção, como Nurburgring, conhecido como “inferno verde”, na época usado em sua extensão total, de 22,8km, resultando em um GP de apenas 14 voltas. Mas a prova mais polêmica de 1969 foi o GP da Bélgica, no velho Spa-Francorchamps, que sofreu um boicote dos pilotos, comandado por Jackie Stewart.

O escocês, que viria a ser o principal rival de Fittipaldi, conquistou, naquele ano, o primeiro de seus três títulos, a bordo da Matra, após dominar a primeira parte do campeonato com cinco vitórias em seis provas. Seria o único título da equipe, que acabaria em 1972. Aliás, entre os times, apenas Ferrari e McLaren seguem na F-1 (apesar de Frank Williams já ser dono de equipe na época, trata-se da precursora da Williams de hoje).

ASAS VOADORAS

As asas traseiras tinham começado a aparecer no final da década de 1960 e, em 1969 foram levadas a novos níveis: nas primeiras etapas do campeonato, equipes usaram asas bastante altas, e por algumas vezes tanto na traseira, quanto na parte dianteira. Porém, depois de vários acidentes em que essas asas ou até mesmo as suspensões às quais elas eram presas quebraram, elas foram temporariamente banidas, a partir do GP de Mônaco. Foi só no final daquela temporada, portanto, que as asas ganharam um regulamento mais definido em termos de limitação de tamanho e localização.

A fragilidade das asas gerou um episódio curioso no GP da Espanha. As duas Lotus bateram no mesmo lugar por conta de falhas, e foi Graham Hill, que assistia à prova depois de bater, que socorreu o companheiro Jochen Rindt, inconsciente após outra colisão no mesmo ponto da pista. O austríaco, que morreria no ano seguinte, daquela vez escapou apenas com um nariz quebrado.

Mesmo com toda a falta de segurança, não houve nenhuma fatalidade de pilotos de F-1 em 1969 - Gerhard Mitter morreu no GP da Alemanha com um F-2 em uma etapa em que eram admitidos carros de ambas as categorias. Mas o misto de pistas perigosas e carros cada vez mais rápidos com o melhor entendimento do uso das asas para a aerodinâmica faria da década de 1970 a mais mortífera do esporte.

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