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Sem nunca ter morado no Brasil, patinadora disputa final inédita

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GUSTAVO LONGO

PYEONGCHANG, COREIA DO SUL (FOLHAPRESS) - Enquanto Isadora Williams, 22, aguardava o início de sua apresentação de patinação artística na Gangneung Ice Arena, pela Olimpíada de Inverno de PyeongChang, um hit muito conhecido dos brasileiros tocava em seus fones de ouvido. A música "Vai Malandra", da cantora Anitta, embalou seus últimos minutos de concentração antes de fazer história.

Com sua apresentação -dessa vez, ao som da música "Hallelujah", do compositor canadense Leonard Cohen-, a atleta do Brasil se tornou a primeira sul-americana a garantir classificação para o programa longo da patinação artística em uma edição dos Jogos de Inverno.

O feito foi obtido na manhã desta quarta-feira (21) na Coreia do Sul -noite de terça (20) no Brasil. Com a nota 55,74 -sua melhor marca- Isadora ficou na 17ª colocação do programa curto, primeira etapa da disputa, na qual os atletas realizam uma série de elementos obrigatórios. Das 30 competidoras, 24 avançavam para o segundo e último dia de competição.

A alegria de já estar entre as finalistas supera a tristeza sentida quatro anos atrás. Nos Jogos de Inverno de Sochi, Isadora garantiu a inédita vaga olímpica para o Brasil na patinação artística no gelo. Na competição, porém, não conseguiu fazer uma boa apresentação e terminou na última posição (30ª).

"Esse era o tipo de apresentação que eu queria fazer em Sochi. Eu carreguei um peso grande depois daquela Olimpíada, e agora finalmente saiu. Estou mais leve e tenho uma memória melhor sobre os Jogos Olímpicos", disse Isadora à reportagem, em um português carregado de sotaque.

Filha de mãe brasileira e pai americano, Isadora nasceu em Marietta, no estado da Geórgia (EUA), e nunca morou no Brasil. Ela possui dupla cidadania e, apesar de viajar ao país apenas ocasionalmente, desde o 9 anos ela manifestava o desejo de representá-lo em torneios.

Ela começou a praticar o esporte aos 5 anos, após ser levada por seu pai a um rinque de patinação. Encantada com a modalidade, começou a fazer aulas e não parou mais.

Em 2009, aos 13 anos, Isadora enviou um vídeo com clipes de seus treinos e apresentações à CBDG (Confederação Brasileira de Desportos no Gelo) e acabou sendo integrada à equipe brasileira de patinação artística.

No ano seguinte ela já participava do Mundial Júnior e em 2012 começou a competir na categoria principal.

Nos últimos oito anos, Isadora foi a responsável por elevar o patamar da patinação artística no gelo do Brasil. Nesse período, conquistou seis medalhas internacionais na modalidade (as primeiras do país). Além disso, conquistou o melhor resultado brasileiro em um Mundial de Patinação Artística -25º lugar no Mundial de London (CAN), em 2013, superando a 27ª posição de Kevin Alves em Turim-2010- e conseguiu a classificação olímpica tanto em 2014 quanto neste ano.

Fã de brigadeiro, Isadora enfrenta uma rotina desgastante de treinos em dois períodos durante toda a semana. Ela fica longe das pistas de patinação só à noite, quando cursa nutrição na Universidade Mont Clair, em Little Falls, no estado de Nova Jersey (EUA). Nos fins de semana, ela volta para o gelo para dar aulas de patinação e complementar sua renda.

"É uma rotina pesada. Nos primeiros dias eu desmaiava na cama de tão cansada, mas o esforço vale a pena", diz.

A dedicação resultou em uma grande evolução no último ciclo olímpico.

Em três anos, ela conseguiu aumentar em dez pontos -quantia significativa em um esporte que pode ser decidido em centésimos- sua nota no programa curto. Em novembro de 2014, por exemplo, em sua primeira competição após os Jogos Olímpicos de Sochi (a Volvo Open Cup, na Letônia), Isadora obteve 45,55 pontos no programa.

O bom resultado nos Jogos coincide com mudanças importantes na carreira da atleta. Em 2017, Isadora saiu da casa dos pais em Ashburn, na Virgínia (EUA), para treinar na Floyd Hall Arena, em Little Falls. Ela também passou a ser treinada pelo casal Igor e Kristen Fraser Lukanin, que disputou os Jogos de Inverno de 2002 e 2006 pelo Azerbaijão. Eles a ajudaram a se aperfeiçoar tanto técnica quanto psicologicamente.

Com isso, a adolescente que surpreendeu o Brasil em 2014 se tornou uma mulher decidida e consciente de sua capacidade. Tanto que ela quer mais nesta quinta-feira (22), a partir das 21h30 (de Brasília), na final da patinação artística nos Jogos.

"Eu não tenho controle sobre o que as outras atletas vão fazer. Só controlo aquilo que eu posso fazer e eu quero executar um programa longo mais forte, limpo e com todos os elementos perfeitos", diz.

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