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Em crise, Cavs reformulam elenco e ficam ainda mais dependentes de LeBron

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma crise interna generalizada forçou o Cleveland Cavaliers a ser o time mais ativo da data limite de trocas na NBA, a última quinta-feira (8). Finalista da liga nos últimos três anos, ganhando um título nos três duelos contra o Golden State Warriors, a equipe liderada por LeBron James chegou à temporada 2017/18 como candidata a uma nova conquista, como foi desde que o ala retornou ao time em que iniciou a carreira.

Em alguns meses, porém, o otimismo se chocou com a realidade de que o time reformulado após a troca com o Boston Celtics, que recebeu o armador Kyrie Irving, talvez sequer conseguiria chegar à final de conferência.

Irving era o principal parceiro de LeBron nas temporadas anteriores, porém teria ficado insatisfeito com seu tratamento interno e pediu para ser trocado. Para preencher o vazio deixado pela estrela, os Cavaliers receberam um pacote com a escolha do Brooklyn Nets no Draft de 2018, o ala Jae Crowder, o pivô Ante Zizic e o armador Isaiah Thomas.

Thomas vinha de um ano excelente pelos Celtics, porém não poderia atuar até dezembro por conta de uma cirurgia no quadril. Além dele e dos outros dois que vieram na troca, os Cavs trouxeram cinco caras novas em relação ao ano anterior: Dwyane Wade, Derrick Rose, Jose Calderón, Jeff Green e Cedi Osman.

Com um elenco bem mudado, o técnico Ty Lue teve dificuldade para fazer seu time encaixar no início da temporada, porém os Cavs engrenaram a partir do dia 11 de novembro, conquistando 13 vitórias consecutivas que puseram o time na briga pela liderança do Leste.

A estreia de Thomas se aproximava e ocorreu no primeiro jogo da equipe de Cleveland em 2018. Apesar de toda expectativa que cercou o primeiro jogo do armador, o momento que ele entrou em quadra foi um divisor de águas. A primeira impressão foi positiva, com uma vitória com participação crucial de Thomas, que veio do banco.

Foram 17 partidas desde a estreia dele, com apenas sete vitórias. O que poderia ser considerado um período de oscilação para a adaptação do time a Thomas, jogador fraco defensivamente, foi pior do que o esperado. Os Cavaliers passaram vergonha em confrontos diretos, sendo humilhados pelo Oklahoma City Thunder no dia 20 de janeiro (derrota por 148 a 124 pontos) e Houston Rockets (120 a 88) em 3 de fevereiro.

Não bastassem os resultados ruins, a má fase trouxe problemas no vestiário – em sua maioria, a partir de declarações de Isaiah Thomas. Novo no time, ele questionou a entrega de colegas em mais de uma ocasião, sendo a mais destacada logo após a derrota para o Thunder.

Em uma reunião interna para tentar reunir os cacos pela derrota, Thomas apontou para Kevin Love, que deixou a partida logo cedo por conta de um problema de saúde. O ala-pivô deixou a arena e não acompanhou o massacre sofrido pelos Cavs, além de não comparecer ao treino no dia seguinte, gerando um mal-estar dentro do grupo.

Após o revés contra os Rockets, Thomas questionou publicamente a entrega de seus colegas dentro de quadra. “Eu não sei quando foi a última vez que a gente caiu no chão para pegar uma bola perdida. Sei que nos times em que em estive, defesa é determinada em bolas desviadas, desarmes, bolas perdidas, quem é o time que trabalha mais duro”, afirmou.

Três dias depois, após derrota para o Orlando Magic, Thomas atacou de novo: “Temos que fazer melhor. Temos que fazer ajustes ao longo do jogo. Eles fizeram ajustes, e eles funcionaram, e nós continuamos sendo atingidos da mesma forma, sem nos ajustarmos”.

Esta declaração foi vista como uma cutucada no técnico Ty Lue, que negou que o time passasse partidas inteiras sem alterar a forma de jogar de acordo com o que o adversário apresentava.

Com a controvérsia interna crescendo, os Cavs foram forçados a tentar corrigir os erros na montagem do elenco atual – e reduzir os problemas no vestiário. Então, dois dias depois do revés para o Magic, Isaiah Thomas, Jae Crowder, Derrick Rose, Dwyane Wade, mais Iman Shumpert e Channing Frye (estes há mais tempo no time) foram envolvidos em duas trocas que resultaram nas chegadas de George Hill (do Sacramento Kings), Rodney Hood (Utah Jazz), Jordan Clarkson e Larry Nance Jr. (do Los Angeles Lakers).

Tendo trocado um terço do time, os Cavaliers buscam recuperar a identidade e melhorar o desempenho recente, que começou a ameaçar até a classificação da equipe nos playoffs. Com a queda livre desde o começo do ano, o time de Cleveland passou a ter apenas quatro vitórias a mais que o Detroit Pistons, primeiro time fora da zona de classificação no Leste.

E, apesar da terceira colocação na conferência, os Cavs estão colados na classificação com Milwaukee Bucks (4º), Washington Wizards (5º), Indiana Pacers (6º) e Miami Heat (7º).

Sem muitas peças de peso além de LeBron James, o time de Cleveland ainda vive com a sombra do abandono do ídolo. Com contrato até o final da temporada, James tem como objetivo conquistar mais títulos para seu currículo.

Especulado pela imprensa americana como possível reforço de Los Angeles Lakers e Houston Rockets, o astro terá alguns meses para testar se os novos companheiros têm a capacidade de brilhar nos playoffs para que, quem sabe, o elenco continue com seu líder na próxima temporada.

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