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Defesa de Marin pede anulação de júri e reivindica novo julgamento

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Os advogados de José Maria Marin, o ex-presidente da CBF condenado e preso em Nova York há um mês por seu envolvimento no escândalo de corrupção da Fifa, pediram a anulação do veredicto de um júri popular em dezembro e a realização de um novo julgamento para o cartola.

Eles alegam que a acusação não tem provas suficientes para determinar a culpa de Marin nos crimes que cometeu -ele foi condenado por 6 das 7 irregularidades de que era acusado, entre elas organização criminosa, fraude financeira e lavagem de dinheiro em relação aos contratos de direitos de transmissão dos campeonatos Copa América, Copa do Brasil e Libertadores pela televisão.

No recurso entregue à juíza do caso, Pamela Chen, a defesa de Marin ainda pede que seja levado em consideração o fato de que no Brasil os crimes pelos quais foi condenado não são considerados atividades ilícitas, em especial o de organização criminosa, que não tem equivalente no Código Penal brasileiro.

Esse mesmo argumento, no entanto, já havia sido usado no Tribunal Federal do Brooklyn, onde o julgamento de Marin e outros dois réus no caso Fifa se estendeu por novembro e dezembro do ano passado, e foi rechaçado pela juíza, que alegou que uma defesa com base em leis de outros países só confundiria os jurados e faria com que talvez não respeitassem a lei.

Julio Barbosa, advogado que integra o time de defesa de Marin, havia dito que esse seria o principal argumento de um eventual recurso contra a decisão na saída do tribunal no dia em que o cartola acabou sendo condenado.

No recurso, primeiro noticiado pelo site "BuzzFeed", a defesa de Marin ainda alega que mesmo testemunhas-chave do julgamento, como Alejandro Burzaco, da firma argentina Torneos y Competencias, e J. Hawilla, da Traffic, não deram provas cabais de que o cartola havia entrado num acordo para receber os pagamentos ilícitos.

Eles dizem, com relação à Copa Libertadores, que Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e ocupante do posto antes de Marin, recebeu a propina e que há dúvidas sobre o destino do dinheiro desviado dos contratos da Copa América e da Copa do Brasil.

"Marin só assinou o contrato, não há nenhuma indicação que ele tenha entrado num acordo para receber algo em troca de sua assinatura", diz um trecho do recurso, sobre a venda dos direitos da Copa América para a TV.

O cartola está detido no maior presídio federal de segurança máxima dos Estados Unidos, no bairro do Brooklyn, em Nova York, desde a véspera do último Natal.

Seus advogados esperam que, com o recurso, Marin tenha a pena atenuada ou consiga passar para a prisão domiciliar em seu apartamento de luxo na Trump Tower, em Manhattan. Se o julgamento não for anulado, sua sentença será anunciada em abril -ele pode pegar até 120 de prisão por seus atos criminosos.

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