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Ex-aliado de Brant se junta ao grupo de Eurico e vira presidente do Vasco

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BRUNO BRAZ E RODRIGO MATTOS

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Em uma ação fria e calculista, Alexandre Campello rompeu com Julio Brant, se juntou ao grupo de apoiadores de Eurico Miranda em cima da hora e, em um acontecimento inédito na história do clube, se tornou o novo presidente do Vasco no próximo triênio —em votação do Conselho Deliberativo nesta sexta-feira (19)— sem ter vencido o pleito entre os sócios. Após o anúncio, o nome de Eurico foi bradado pelos conselheiros.

Os aliados de Campello, Roberto Monteiro e Rafael Landa, ficaram respectivamente com as presidências do Conselho Deliberativo e do Fiscal.

"É uma vitória da oposição do Vasco que derrotou o Eurico nas urnas. Pretendo iniciar uma nova gestão, com transparência. Quero unir o clube em torno de um projeto para trazer o Vasco novamente aos momentos de glória", declarou Campello.

O novo presidente ainda garantiu que não negociou cargos com Eurico: "Não existe nenhum acordo com o Eurico. Não terá membros na nossa gestão nem na vice-presidência e nem em cargo executivo. É uma chapa pura de oposição. Mais do que isso são ilações".

Julio Brant havia sido o vencedor entre os sócios em novembro do ano passado em aliança feita justamente com Alexandre Campello. O médico e todo seu grupo político, porém, alegaram total falta de diálogo para romperem na véspera da eleição do Conselho.

O resultado da eleição causou revolta entre os torcedores. Cerca de 500 pessoas estiveram presentes do lado de fora da sede náutica da Lagoa (RJ) e praticamente todas apoiavam Brant, que tem muito apelo junto ao torcedor que não é conselheiro ou sócio.

Assim que souberam do resultado, os torcedores entraram em conflito com a policia. Bombas foram arremessadas pelos policiais, que receberam garrafadas em resposta.

Dentro da sede, mais confusão. Brant pediu a palavra e discursou por pouco tempo. Ao reclamar que a vontade dos sócios não foi levada em consideração, algo que jamais havia ocorrido, pessoas que bradavam o nome de Eurico iniciaram confusão, que, por pouco, não chegou às vias de fato.

"O que aconteceu aqui é uma vergonha, uma mancha na história do Vasco. Jamais aconteceu isso, do desejo do sócio ser desrespeitado. O segundo lugar se uniu com o quarto. Talvez o encanto de ser o presidente motivou a traição dele [Alexandre Campelo]. Quase dois mil sócios votaram na gente para tirar o discurso euriquista do Vasco. Se olharem o conselho fiscal, é tudo aliado do Eurico", reclamou Julio Brant.

O PROCESSO

A eleição do Vasco ocorre de maneira indireta. O vencedor do pleito entre os sócios tem o direito a indicar 120 conselheiros e o segundo colocado, 30. Estes 150 se juntam a outros 150 considerados natos e os 300 votam no próximo presidente.

Este ano, assim como aconteceu em outras eleições, não houve um comparecimento total dos conselheiros natos uma vez que muitos já possuem idade avançada.

A POLÊMICA

A surpreendente mudança no tabuleiro político vascaíno se deu tão logo, em campo, o time cruzmaltino foi derrotado em casa, na estreia no Campeonato Carioca, por 2 a 0 para o Bangu.

Alexandre Campello, que chegou a ser candidato e abriu mão de concorrer para se aliar a Brant e derrotar Eurico, foi ao Facebook anunciar ao vivo que havia rompido de vez com o vencedor da eleição entre os sócios. De forma clara, informou que não seria mais o vice-presidente geral do clube caso Julio confirmasse seu primeiro lugar, algo que havia sido acordado entre os dois previamente antes de formarem a aliança.

Para romper com Brant, Campello se justificou dizendo que não houve diálogo entre as partes e que o candidato não cumpriu com o prometido. Em suas palavras, se considerou "traído".

Anteriormente cogitado para assumir também a vice-presidência de futebol, ele teria tido divergências em relação à gestão de tal pasta. No início da tarde, Campello ainda reclamou da postura do ex-aliado e relatou ameaças de morte.

A POSSE

O novo presidente do Vasco será empossado, em cerimônia de gala, na próxima segunda-feira (22), conforme determinação da Justiça. Até o domingo (21), portanto, o clube oficialmente ainda terá uma direção administrativa provisória, algo que acontece desde a última quinta (18) por determinação judicial.

Portanto, assim como ocorreu na partida da quinta-feira contra o Bangu, o jogo deste domingo, diante do Nova Iguaçu, em São Januário, também será com portões fechados.

A ELEIÇÃO DOS SÓCIOS

As polêmicas na eleição vascaína começaram em novembro do ano passado. Com suspeitas de irregularidades, a Justiça determinou que uma urna fosse separada na eleição entre os sócios. Nela, foram colocados 691 pessoas que se associaram no fim de 2015.

Após a apuração, uma disparidade no resultado a favor de Eurico Miranda na tal urna 7 —num desequilíbrio total em relação às outras— levou o judiciário a suspender tais votos. Deste modo, o candidato de oposição Julio Brant passou a ser o vencedor.

Eurico tentou uma série de ações na Justiça para tentar validar a urna 7, mas sofreu derrotas e chegou para a eleição do Conselho Deliberativo como segundo colocado.

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