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Atuação de gala de Neymar vira pano de fundo em briga com torcida

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JOÃO HENRIQUE MARQUES

PARIS, FRANÇA (UOL/FOLHAPRESS) - A cena é insólita. Após marcar quatro gols e ainda colaborar com duas assistências na goleada do Paris Saint-Germain por 8 a 0 diante do Dijon, nesta quarta-feira (17), pelo Campeonato Francês, Neymar tem pressa, deixa o campo no Parque dos Príncipes com a bola do jogo e o troféu de melhor da partida nos braços. A atitude é para evitar o contato com a torcida na tradicional comemoração em conjunto. Assim, a rixa criada entre os fãs do clube e o brasileiro foi escancarada.

A atuação de gala do camisa 10 virou pano de fundo de um duelo marcado por vaias ao jogador e até a não-comemoração de parte da torcida em um dos seus gols. Isso porque o brasileiro ignorou os gritos de "Cavani, Cavani" como pedido para que o uruguaio fosse o responsável por uma cobrança de pênalti. Se tivesse efetuado a cobrança e convertido, o uruguaio chegaria viraria o maior artilheiro da história do PSG, ultrapassando Zlatan Ibrahimovic com 157 gols marcados com a camisa do time parisiense.

A relação do brasileiro com a torcida do PSG é de altos e baixos. Os gritos de apoio e aplausos a Neymar surgem em todos os jogos do time no estádio. No entanto, o problema criado com Cavani por conta dos pênaltis deixou uma mágoa em muitos fãs.

A cada pênalti marcado para o PSG no Parque dos Príncipes, Neymar ouve milhares de pedidos pela cobrança do uruguaio. Em vitória contra o Troyes por 3 a 1, em dezembro, o brasileiro cedeu e foi agraciado com uma salva de palmas —na ocasião, Cavani desperdiçou a cobrança.

Diante do Dijon, Neymar ouviu até mesmo pedidos da torcida para que Cavani cobrasse uma falta no começo do segundo tempo —o brasileiro já havia feito gol de falta no primeiro tempo. O desejo da torcida foi atendido, mas o gesto dá o tom da pressão com a qual o brasileiro convive.

"O público paga a entrada e é soberano, decide o que fazer em cada momento. Mas, claro, é melhor que o público apoie os dois jogadores e não se ponha a favor de um ou de outro", comentou o lateral esquerdo Yuri Berchiche.

A disputa pelas cobranças de pênaltis teve Neymar como vencedor por determinação do treinador Unai Emery. Mas, durante o suspense, o jornal esportivo francês "L'Equipe" trouxe em uma pesquisa o uruguaio como o preferido da torcida pelo posto com 65%. Neymar ficou com os 35% restantes. O atrito com o centroavante ainda proporcionou pesadas críticas da imprensa local. O jornal "Le Parisien" exibiu reportagem de capa intitulada "a face oculta de Neymar".

Abalado, Neymar se negou a dar entrevistas após a incrível atuação contra o Dijon. O relacionamento ruim está longe de ser contornado. Aparentemente, gols não bastam para que o camisa 10 vire unanimidade no PSG.

"Esse gesto é uma pena e um pouco ingrato (a vaia). Como eu disse antes, ele fez quatro gols e deu duas assistências, e Cavani é da casa, já faz alguns anos que está aqui e sempre tem uma atitude correta com o clube e os torcedores, além de ser um excelente jogador. Ele é muito querido. Neymar poderia ter dado a bola, seria um gesto de fair play, mas no papel é Neymar quem deve bater os pênaltis e tem essa responsabilidade", destacou o lateral direito Thomas Meunier.




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