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Apreensões feitas no Brasil são discutidas no julgamento de Marin

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O depoimento do procurador-chefe do Estado do Rio de Janeiro, José Schettino, a mais nova testemunha a depor no julgamento do escândalo de corrupção da Fifa, antecipa uma semana mais que promete ser quente para a defesa de José Maria Marin, o ex-presidente da CBF que está sendo julgado em Nova York.

Schettino deu detalhes de uma ação policial ocorrida há dois anos, quando conduziu uma operação de busca e apreensão ao lado do ex-procurador Marcelo Miller na sede da Klefer, empresa de marketing esportivo no Rio.

O depoente, no entanto, não deu detalhes do que foi apreendido nos escritórios da firma que pertence ao ex-presidente do Flamengo, Kleber Leite.

Esses dados poderão vir à tona na semana que vem, quando a próxima testemunha estiver na corte, e pode dar detalhes sobre o envolvimento de brasileiros no escândalo de corrupção da Fifa.

Seu nome, como vem ocorrendo ao longo de todo o julgamento, não foi revelado, mas advogados da defesa de Marin e dos outros dois réus do caso pareciam agitados tentando evitar que promotores americanos usassem como prova criminal a gravação de uma conversa entre Leite e um dos envolvidos no caso, identificado pelos advogados só como um "co-conspirador".

Sem fazer grandes revelações, Schettino contou que agiu a pedido da Justiça americana em 27 de maio de 2015, quando a polícia prendeu sete dirigentes do futebol mundial em Zurique, entre eles Marin, detonando a investigação de corrupção na Fifa.

Na sede da Klefer, foram apreendidos anotações e documentos, entre eles contratos de transmissão da Copa do Brasil firmados entre a CBF e a empresa e bilhetes com vários números que pareciam valores em dinheiro.

Schettino disse que Kleber Leite estava na empresa no momento da operação policial e que o cofre, onde boa parte desses papéis foi encontrada, era grande o suficiente para abrigar "duas ou três pessoas".

"Participei de um acordo de cooperação jurídica, em que um país pede e o outro auxilia", disse Schettino a jornalistas, na saída do tribunal no Brooklyn. "Fizemos uma busca e apreensão na Klefer."

Questionado pelos promotores americanos, Schettino só reconheceu os documentos e disse que pareciam ser os mesmos apreendidos há dois anos, mas não deu detalhes do conteúdo dos papéis.

Os advogados de José Maria Marin depois interrogaram a testemunha, querendo saber se ele teria como garantir que os papéis mostrados pelos promotores americanos aos jurados eram de fato os mesmos apreendidos.

Ele explicou como provas de um crime são guardadas pela Polícia Federal no Brasil antes de passar pelo processo de transferência do material para as autoridades americanas, mas não chegou a garantir que as pastas azuis em questão eram as mesmas que saíram do Rio.

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