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Em cadeira de rodas, Pelé ganha afagos de Maradona e Putin

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ALEX SABINO E SÉRGIO RANGEL, ENVIADOS ESPECIAIS

MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - Até Maradona esqueceu das históricas diferenças com Pelé e deu-lhe um beijo na têmpora ao vê-lo chegar em cadeira de rodas ao sorteio dos grupos para a Copa do Mundo, nesta sexta-feira (1º).

O presidente do país, Vladimir Putin, saudou o brasileiro e, no início do evento, o mandatário da Fifa, Gianni Infantino, chamou-o de "rei", apesar da grande amizade que nutre pelo argentino.

A viagem a Moscou foi uma das raras aparições recentes de Pelé, 77, que não gosta de ser visto em cadeira de rodas e acha que isso mancha imagem de Atleta do Século —título que recebeu em 1981— que as pessoas têm dele.

Diante do pedido do comitê organizador da Copa do Mundo, não houve recusa.

Ele já havia sido chamado para a abertura da Copa das Confederações deste ano.

Pelé tem problemas de locomoção por resquícios de cirurgia para colocação de prótese no quadril em 2012.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em 2016, alegou ter sido vítima de erro médico durante o procedimento realizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o que a instituição nega. Depois disso, passou por nova operação em dezembro de 2015, nos EUA.

A reportagem apurou que Pelé reclama de dores na região e tem outras preocupações de saúde causadas pela idade.

O anúncio da presença do ex-jogador arrancou aplausos discretos da plateia no Palácio do Kremlin, em Moscou. Ele entrou no auditório na cadeira de rodas ao lado de Ronaldo. Os dois conversaram até o tricampeão mundial ser amparado por dois funcionários da Fifa para sentar na poltrona que lhe havia sido reservada, na primeira fileira. Ele não foi chamado ao palco.

A ida ao evento foi decidida na semana passada e manteve a sequência de presença em sorteios de Mundiais. A última vez que se ausentou foi em 1993, ao não ser chamado pelo então presidente da Fifa, João Havelange, para a escolha dos grupos para a Copa dos Estados Unidos. Os dois estavam brigados.

Pelé já foi convidado para participar de cerimônias no torneio do ano que vem. O assunto será definido mais próximo da abertura, devido às dúvidas quanto à sua saúde.

Ele não cogita a possibilidade de se aposentar por ser um garoto-propaganda requisitado e ter acordos de patrocínios. Mas tem reduzido o ritmo das viagens, bem como as temporadas em seu apartamento em Nova York.

Candidatos da oposição à presidência do Santos o querem como embaixador do clube. Entretanto, todos fazem a ressalva de que é preciso saber primeiro como estará a condição física do ex-atleta.

O que ele ainda espera é cumprir promessa feita em 2010, quando completou 70 anos e recebeu homenagens do mundo do futebol.

"Disse à minha família que, aos 80 anos, quero fazer um gol no Maracanã. Na festa dos meus 50 anos (em 1990), não consegui fazer um gol [em amistoso da seleção no estádio San Siro, em Milão]. Com 80 [que completa em 2020], no Maracanã, vai ser possível."

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