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Juíza do Fifagate vê sinal como ameaça de morte para delator e pune cartola

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Quase ninguém notou, mas ao longo de mais um dia do julgamento do escândalo de corrupção da Fifa, em Nova York, o peruano Manuel Burga, ex-chefe do futebol de seu país e réu no caso, fez um sinal com a mão como se estivesse cortando a garganta.

Sua mensagem, interpretada pelos promotores da Justiça americana como uma ameaça de morte, tinha como alvo Alejandro Burzaco, o empresário argentino que depõe há dois dias como uma testemunha da acusação.

Burzaco amanheceu o dia chorando na corte do Brooklyn. Especulavam que ele estava abalado ao saber da morte do advogado argentino Jorge Delhon, que se matou na noite anterior —ele se jogou em frente a um trem em Buenos Aires—, depois de ser citado como um dos que receberam pagamentos ilícitos.

Mas o gesto de Burga, feito duas vezes, de acordo com os promotores, pode ser o que desencadeou o surto emotivo de Burzaco diante do júri.

Ele voltou a chorar quando relembrou o momento em que a polícia prendeu sete cartolas em Zurique, há dois anos, dando início à investigação criminal em curso desde então nos Estados Unidos.

Burzaco contou que decidiu se entregar às autoridades naquele momento em que viu a captura de outros dirigentes do futebol, entre eles José Maria Marin, o ex-presidente da CBF que está sendo julgado agora em Nova York.

Ele veio direto de Milão, para onde havia fugido, para Nova York, onde está em prisão domiciliar, contando que já não poderia voltar a Buenos Aires porque estava recebendo ameaças de morte da polícia da capital argentina.

Depois do gesto de Burga, promotores exigiram que ele fosse preso em vez de confinado em seu quarto de hotel. A juíza Pamela Chen determinou que ele ficasse sob ainda mais restrições. O peruano não poderá mais sair sozinho de casa, usar o computador nem falar pelo telefone.

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