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Indefinição sobre Interlagos leva F-1 a flertar com Florianópolis

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FÁBIO ALEIXO E PAULO ROBERTO CONDE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com o avanço do projeto de lei que trata da privatização do autódromo de Interlagos, a promotora do GP Brasil de F-1 estuda alternativas para onde levar a prova depois de 2020, quando se encerra o contrato de São Paulo com a FOM (Formula One Management).

Caso não haja acordo com quem por ventura assumir o autódromo, a opção número 1 da Interpub, empresa que realiza a corrida no país, é Florianópolis, em Santa Catarina.

Segundo Tamas Rohonyi, presidente da empresa, já foi produzido um projeto de engenharia pronto para um traçado, que seria montado nas ruas do centro da cidade catarinense, nos contornos da avenida Beira Mar Norte, com a ponte Hercílio Luz como cenário de fundo.

Ele também afirmou que houve reuniões entre autoridades do município e o ex-dono da F-1, Bernie Ecclestone.

"Não precisaria nem de autódromo. Como Florianópolis é uma cidade turística, ia conseguir trazer metade da Argentina. Imagine que o fluxo de turistas argentinos, que já é grande, triplicaria", afirmou o empresário.

A Argentina recebeu um Grande Prêmio pela última vez em 1998. Houve tratativas para o que o país voltasse a hospedar uma corrida da categoria, porém elas não avançaram.

Nos últimos anos a F-1 aumentou o número de provas disputadas em circuitos de rua, como Baku e Cingapura.

Rohonyi disse que a promoção deste formato no Brasil seria "muito inovadora".

Os organizadores admitem que uma mudança para Florianópolis exigiria ampla redefinição logística do evento.

A maior cidade do país tem recebido o GP Brasil seguidamente desde 1990, e mobiliza até 8.000 pessoas de estafe no final de semana de disputa. Além disso, o custo seria maior do que em uma corrida convencional, em autódromo.

"O circuito de rua é mais caro, por ter de montar e desmontar todo ano. Mas, por outro lado, tem vantagens", disse Tamas Rohonyi, que trabalha na promoção de eventos no país desde o final dos anos 1970.

O empresário acredita que a composição visual seria um atrativo para a televisão.

O interesse em levar o GP Brasil para Santa Catarina não é novo. Em 2014, o então prefeito de Florianópolis, César Souza Júnior, afirmou que manteve conversas com Ecclestone e chegou a dizer que havia possibilidade de realizar a prova em 2016 --o que, obviamente, não ocorreu.

Ecclestone vendeu os direitos da F-1 para o grupo Liberty Media e não comanda mais a categoria. Porém, Rohonyi, que é muito próximo do inglês, ressuscitou o assunto.

Interlagos recebe o GP do Brasil desde 1972. A edição inaugural foi disputada em São Paulo e não valeu pontos. Ela serviu de teste para que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) desse a homologação para uma corrida oficial, que ocorreu no ano seguinte.

Em 1978, a prova migrou para Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, único lugar além da capital paulista que sediou a F-1. Em 1990, o evento voltou a ser realizado em São Paulo.

PRIVATIZAÇÃO

Rohonyi afirmou que se reuniu com o prefeito João Doria duas vezes nos últimos meses para discutir questões relativas à privatização do autódromo de Interlagos e eventual permanência do Grande Prêmio em São Paulo.

A prefeitura e a promotora têm um contrato com a FOM que vigora até 2020. Como o comando da F-1 mudou de mãos recentemente, Rohonyi disse não saber como será a costura de uma renovação. E que, por isso, passou a aventar a opção de Florianópolis.

"Eu sou realista. Conversei com João Doria e fomos muito abertos. Ele disse o que vai fazer, das cláusula para respeitar o contrato até 2020. Mas onde estará Doria em 2020?", indagou o promotor, em alusão à pretensão de o político concorrer à Presidência em 2018.

Rohonyi disse que Doria afirmou ter três administradores privados interessados na gestão do autódromo. Daí a fechar, porém, é outra história.

"As perguntas que faço são: quem compra [o autódromo]? Como compra? Nem sei se alguém compraria Interlagos", afirma.

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