Mais lidas
Esportes

Eurico e Brant celebram vitória e urna suspeita decidirá eleição na Justiça

.

BRUNO BRAZ E LEO BURLÀ

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - No "pleito regular", o candidato de oposição Julio Brant bateu Eurico Miranda na eleição do Vasco. Porém, uma "urna da discórdia" levará a votação para a Justiça.

No "baú da discórdia", Eurico ganhou amplamente: foram 428 votos contra os 42 de Julio Brant, além dos 4 de Fernando Horta, que abriu mão de sua candidatura em nome da de Julio. No entanto, decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que se o vencedor não tivesse uma margem de votos superior ao número de sócios em situação possivelmente irregular, estes seriam analisados em juízo.

"No caso de a chapa vencedora obtiver margem de votos superior aos colhidos na urna em separado, os votos acautelados poderão ser descartados e promulgado o resultado da eleição; No caso de a chapa vencedora obtiver margem de votos inferior aos colhidos na urna em separado, a mesma deverá ser lacrada e entregue ao responsável nominado por este Juízo", escreveu em seu despacho a desembargadora Marcia Ferreira Alvarenga, da 17ª Câmara Cível do TJ-RJ.

Nas outras seis urnas "regulares", Brant alcançou uma vitória por 1.933 a 1.683, diferença insuficiente para dar por encerrado o disputado pleito ocorrido no ginásio de São Januário. Ao final da contagem, as duas chapas deixaram o ginásio cantando vitória.

Julio, por exemplo, deixou clara sua indignação sobre a "urna da discórdia":

"Todas as urnas foram parelhas. Foi uma disputa bonita, democrática e, nas urnas limpas, vencemos quase todas elas. Não é razoável uma urna separada. Esperamos agora que o resultado natural seja ratificado na Justiça e o Vasco comece uma nova história". Perguntado se o via como o novo presidente do clube, a reposta foi taxativa. "Sem dúvida. Não só eu como a maioria dos sócios".

Eurico Miranda, por outro lado, manteve o jeito provocativo. Após se declarar reeleito, o dirigente debochou.

"Algum dia considerei ele meu adversário? Tem de comer muito angu para ser meu adversário", disse.

O presidente da Assembleia Geral, Itamar Ribeiro de Carvalho, publicou documento no site oficial dando a vitória a Eurico Miranda, mas advogados de Brant desconsideraram, alegando que a eleição não teve resultado homologado.

Os 474 sócios que votaram na "urna da discórdia" ingressaram de forma maciça no fim de 2015, antes do encerramento da categoria "sócio-geral", plano mais barato que dava direito a voto.

A votação, que se iniciou às 9h, terminou às 22h e apuração só se encerrou por volta das 3h. Brant e Campello deixaram o ginásio bastante hostilizados pelos aliados de Eurico e dezenas de torcedores que apoiam Miranda invadiram a quadra.

OPOSITORES

Vendo que não teria chances de vencer a disputa, o candidato Fernando Horta abriu mão da candidatura por volta das 15h30. Ele se pronunciou alegando que o principal objetivo seria destronar Eurico Miranda e, em seguida, que pediu que seus votos migrassem para Julio Brant.

"O importante é tirar a família Miranda do Vasco. Para os que vinham votar em mim, que venham agora e votem no Brant", declarou Horta.

Os militantes da chapa "Mudança com Segurança" passaram a se vestir e usar adesivos com as cores da "Frente Sempre Vasco Livre", de Julio e Alexandre Campello.

A aliança começou a ser costurada nos corredores de São Januário após saírem as primeiras parciais das urnas. Tão logo ficou sabendo, Eurico Miranda procurou a imprensa para criticar a ação, mas seguiu otimista na vitória.

VALDIR BIGODE

Tão logo se encerrou a votação na eleição do Vasco, o clima esquentou na entrada principal de São Januário. O ex-atacante e auxiliar-técnico Valdir Bigode, apoiador declarado de Eurico Miranda, tentou entrar pelo portão principal que já estava fechado e passou a ser hostilizado por militantes de Julio Brant, que estavam em ampla maioria do lado de fora.

Eles xingavam o ex-jogador e gritavam o nome de Edmundo, que apoia o candidato deles. Os seguranças e fiscais impediram a entrada de Valdir após o término do pleito -assim como estavam fazendo com qualquer outra pessoa que tentasse ingressar- e o ex-artilheiro cruzmaltino se enfureceu.

Com o dedo em riste para o fiscal de Brant, Bigode declarou:

"Vou sair por aqui, mas se acontecer qualquer coisa comigo eu vou até o fim da vida atrás de você".

Em seguida, o atual auxiliar técnico de Zé Ricardo voltou cercado de seguranças em busca do desafeto. A chapa de Eurico Miranda, a qual Valdir apoia, exigiu a saída de Faues Mussa Jussa, envolvido na confusão e que não poderia estar no local.

Uma briga quase tomou conta da contagem dos votos de uma das urnas. Ricardo Vasconcelos, assessor da presidência e que apoia Eurico Miranda, se desentendeu com Fred Lopes, ex-vice de patrimônio da gestão Roberto Dinamite. Eles foram contidos pela 'turma do deixa disso'.

m sua chegada, Edmundo teve um forte aparato de segurança por homens da chapa "Frente Sempre Vasco Livre". O ex-atacante foi bastante tietado, mas também hostilizado por apoiadores de Eurico Miranda. Ele encarou a situação com naturalidade.

"Aconteceu lá foram alguns xingamentos, hostilidades, mas não tem problema. Era algo já esperado. Isso vai acabar e vou poder voltar a São Januário com tranquilidade", disse, demonstrando confiança na vitória do Brant.

PANFLETAGEM

A eleição presidencial do Vasco, que se iniciou pontualmente às 9h, teve um começo tranquilo. A rua General Almério de Moura, onde se situa o portão principal, foi tomada por panfletagens, bandeiras e muita boca de urna. Trios elétricos tocavam sambas-enredos dos candidatos. Os oposicionistas Fernando Horta e Julio Brant chegaram cedo e foram um dos primeiros a votar.

Filhos do atual presidente Eurico Miranda, Álvaro e Eurico Brandão, gerente da base e vice de futebol respectivamente, foram para o corpo a corpo com os eleitores e também ajudavam na logística do pleito.

Brant, seu vice Alexandre Campello, e Horta também conversaram com os sócios em clima amistoso.

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber