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São Paulo pós-Aidar promete gestão profissional, mas tropeça no caminho

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PEDRO LOPES

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O mandato de Carlos Miguel Aidar tirou o São Paulo dos trilhos administrativos e terminou com a renúncia em outubro de 2015. Desde então, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, mudou o estatuto e passou por duas eleições com o mesmo discurso: colocar a casa em ordem com transparência e profissionalização.

A caminhada rumo a essa gestão modelo, entretanto, parece não ter data para terminar. Conflitos de interesse, um grande escândalo e práticas que se afastam dos ideais de governança corporativa atingem o São Paulo e expõem a distância para uma administração ideal, ou até uma que reflita as palavras do próprio estatuto, reformado em 2016.

Na última terça (23), o UOL Esporte revelou o último de uma série de episódios que têm como palco a diretoria são-paulina: em julho de 2016, o clube aceitou do sócio Luis Roberto Demarco um software gratuito para utilizar no programa de sócio-torcedor. O empresário, entretanto, estipulou como condição para a cessão a permanência de Vinicius Pinotti, com quem tinha sociedade em outros negócios, na cúpula tricolor. O São Paulo não se opôs à exigência, aceitou o programa até agosto deste ano e ainda se apoia na permanência de Pinotti no comando do futebol para garantir que não haja cobrança.

A exigência de Demarco demorou mais de um ano para se tornar pública, mas antes disso, em dezembro do ano passado, o novo estatuto havia sido aprovado pelos sócios. O documento, que chegou a ser chamado por Leco como o "maior legado na presidência do São Paulo", trazia em sua letra a promessa de uma gestão profissional, com diretores executivos escolhidos no mercado, remunerados e renomados em suas áreas de atuação.

A reeleição de Leco, em abril deste ano, trouxe outra realidade. Dos seis diretores executivos nomeados, cinco são conselheiros ou foram dirigentes em outras gestões passadas do clube. Dentre eles está Vinicius Pinotti, que entrou na vida política do clube com um empréstimo em março de 2015, ocupou até o pleito a diretoria de marketing e assumiu o departamento de futebol.

POLÊMICAS

Nem mesmo uma negociação que tinha tudo para ser simples transcorreu sem polêmicas. A coluna De Primeira revelou que Alexandre Pássaro, advogado do São Paulo, trabalhou em outras causas para Rogério Ceni durante o período que o ex-goleiro negociava para se tornar técnico do clube. Pássaro participou de reuniões sobre o contrato, embora não assine o acordo. O São Paulo ainda ressalta que o advogado não participou da definição de uma criticada multa rescisória de R$ 5 milhões de reais, o que não afasta por completo o conflito de interesses.

Foi no departamento de marketing, entretanto, que ocorreu o mais grave dos episódios, com o gerente do departamento. Alan Cimerman foi demitido por justa causa, acusado de venda ilegal de ingressos e desvio de receitas de shows da banda U2. Na esteira do escândalo, veio a revelação de que o profissional recebia, além de seu salário no clube, uma "mesada" de R$ 9 mil mensais pagos diretamente por Vinicius Pinotti.

Quando procurado pela reportagem, o São Paulo não se manifestou de forma oficial sobre o episódio envolvendo Ceni e Pássaro, sobre a nomeação da diretoria executiva ou sobre a mesada de Cimerman. Já o escândalo envolvendo a venda de ingressos foi encaminhado à polícia. Pessoas ligadas à diretoria procuraram minimizar os episódios como meros descuidos no dia-a-dia administrativo do clube, mas a soma dos casos "pequenos" mostram um cenário diferente.

Dentro de campo, o São Paulo recebe o Santos no sábado, no Pacaembu, com o Morumbi indisponível devido à agenda de shows. Fora, começa a busca por patrocinadores, já que a Under Armour, fornecedora de material esportivo e uma das maiores fontes de receita do clube, quer reduzir o valor pago. No gramado, a luta é para encerrar de vez o risco de rebaixameno; fora, para recolocar a instituição no patamar que ocupou durante a maior parte da última década.

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