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Martín Silva reforça status de ídolo por permanecer em período difícil do Vasco

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BRUNO BRAZ

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Clube de vasta história no futebol brasileiro, o Vasco viveu muitos momentos de glória que ajudaram na construção de diversos ídolos —Romário, Edmundo, Roberto Dinamite, Juninho Pernambucano e Felipe, entre outros. Porém, de 2008 para cá, o time cruzmaltino amargou três rebaixamentos e mergulhou num período de "vacas magras", com apenas um título de Copa do Brasil e um bicampeonato carioca.

Neste cenário, nenhum jogador conseguiu criar tanta identificação com a torcida quanto o goleiro Martín Silva, que na última quarta-feira (20) renovou seu contrato pela segunda vez até 2020.

Introvertido, o uruguaio é uma pessoa de poucas palavras. Não gosta de dar entrevistas, não acompanha programas esportivos e não costuma falar muito nem no dia a dia do clube. Seu vício é treinar. E treinar muito.

"O Martín não é um cara de falar muito, mas quando ele abre a boca para passar alguma mensagem, todo mundo para e o ouve. É um cara muito respeitado no vestiário", disse um funcionário vascaíno à reportagem.

A idolatria começou a ser construída já no ano de sua chegada, em 2014. O Vasco vinha de um rebaixamento traumático onde os grandes vilões para a torcida tinham sido os goleiros da campanha: Alessandro, Diogo Silva e Michel Alves. Na avaliação da maioria dos cruzmaltinos, eles foram responsáveis diretos pela queda, acumulando falhas.

Martín, então, chegou ao time vascaíno com expectativa de "salvador da pátria" —e não decepcionou. Foi um dos grandes destaques na campanha da Série B e impressionou com boas defesas. Por parte dele, o sentimento em relação aos vascaínos também aflorou, afinal de contas, durante a temporada sua filha Pilar nasceu com complicações e os torcedores resolveram abraçar o drama, levando cartazes de apoio ao goleiro e até cantando o nome da pequena herdeira.

Durante este período, o clube também deu ao goleiro toda a estrutura e permitiu que ele fosse algumas vezes ao Uruguai tratar da situação. Pilar, atualmente com 3 anos, é uma criança saudável. Silva admitiu que se emocionou com os gestos.

Em 2015, Martín Silva manteve o alto rendimento. Foi campeão carioca e eleito o melhor goleiro da competição, mas, mesmo com grandes atuações, não conseguiu evitar um novo rebaixamento do time no fim do ano.

Valorizado independentemente da queda, recebeu propostas de alguns clubes como o São Paulo e Boca Juniors, da Argentina. Porém, mesmo com ofertas bem mais sedutoras financeiramente, preferiu ficar no Vasco e disputar a Série B novamente para recolocar o time cruzmaltino mais uma vez na elite do brasileiro.

Por conta da idolatria, o arqueiro ganhou alguns agrados do clube, como uma camisa personalizada. Desde 2015, o fornecedor de material esportivo cria um uniforme para o goleiro com a cor azul celeste, a mesma utilizada pela seleção uruguaia —a qual ele defende até hoje, inclusive tendo sido convocado para os próximos jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018.

Nas redes sociais, são diversos os perfis de idolatria ao goleiro, que é costumeiramente lembrado pelos vascaínos com a expressão "que hombre!" em tom de brincadeira. Até sua esposa, Paola, virou queridinha dos cruzmaltinos e, comunicativa, costuma interagir.

Martín até possui redes sociais, mas não é nem um pouco ativo. No Instagram, por exemplo, sua última postagem foi em outubro de 2016. Mesmo assim, tem mais de 76 mil seguidores.

Responsável por trazer Martín Silva ao Vasco, o empresário Régis Marques, especialista em jogadores do mercado sul-americano, explica de forma objetiva os motivos que fazem o goleiro poder chegar a completar seis anos de clube caso cumpra seu contrato.

"Ele está adaptado, gosta do Vasco, se identificou com o Vasco", disse à reportagem. De acordo com Régis, o fato de ser idolatrado não mexe com o uruguaio. "Ele é uma pessoa tranquila. Tanto é que em nenhum momento, nem quando o Vasco caiu, pediu pra sair. Ele gosta da cidade [o Rio de Janeiro]. Nunca reclamou desde que chegou e acho que isso ajuda. Idolatria, essas coisas, não vejo muito, porque ele não é muito disso. Não é muito de ver TV. Não liga muito para isso."

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