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Com ameaças à família e risco de rebaixamento, Cueva encara problemas no São Paulo

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BRUNO GROSSI

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As entrevistas coletivas de Christian Cueva são raras no São Paulo. O peruano, que já prefere manter-se longe dos holofotes, ainda é supersticioso e não gosta de falar na véspera das partidas. Mas, em um momento conturbado vivido pelo Tricolor, o camisa 10 deu as caras no CT da Barra Funda. Explicou divergências com Pintado, assumiu responsabilidade por gol perdido contra o Coritiba e comentou o drama vivido por familiares no Peru, além de prometer que o time escapará da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro: "Vamos deixar o sangue pela torcida e sonhar por algo melhor".

Na última quarta-feira, uma granada e uma pomba morta foram deixadas na porta da casa do sogro de Cueva, na cidade de Trujillo, no norte peruano. Havia também uma carta pedindo que o meia ligasse para um telefone para evitar que a família sofresse com uma nova granada, desta vez sem a trava de segurança. A polícia local precisou isolar a área para retirar o artefato explosivo.

"É difícil e não nego que seja algo que me preocupa. Mas tenho que jogar. É minha família, tenho que estar forte porque sou quem cuida deles. Mas vai passar. Deixo a polícia e as autoridades que estão investigando trabalharem com isso. Vou ajudar no que puder, pois quero a tranquilidade dos meus parentes, principalmente das minhas duas filhas, que acabam sofrendo mais", lamentou.

Poucas horas após a ameaça recebida pelos familiares, Cueva já teve de entrar em campo pelo São Paulo diante do Coritiba. Foi uma das peças mais lúcidas de um time que perdeu no Morumbi por 2 a 1 diante de mais de 53 mil pessoas, mas também teve responsabilidade pelo tropeço: "A derrota sempre dói em todo mundo. Você pensa que jogamos mal? Eu não penso. Estávamos mentalizados em ganhar, tivemos oportunidades de gol, eu mesmo perdi uma chance. A responsabilidade é minha e dos meus companheiros".

O armador, que fez um gol e deu duas assistências para ajudar o São Paulo a conquistar sete dos últimos 12 pontos no Campeonato Brasileiro, ainda reconheceu que caiu de rendimento em relação ao começo do ano. "O nível caiu, lógico, não vou tampar o sol com o dedo. Baixei meu rendimento, mas trabalhei para voltar da melhor maneira. Nenhuma outra coisa interferiu em meu rendimento, nem rumores de transferências. Sou homem para sair dessa", ressaltou.

Com respostas diretas e firmes, Cueva não fugiu de assuntos espinhosos. Apresentou sua posição até mesmo sobre a declaração do ex-auxiliar Pintado de que foi o peruano quem pediu para não viajar para jogo contra o Santos, em que seria reserva: "Estou à disposição do clube porque trabalho aqui. Em todo esse tempo se falou que eu não quis ir porque seria reserva. E não falei nada porque era algo interno, para se resolver aqui. Estou tranquilo e sempre à disposição do clube. Por isso estou aqui. Se tivesse feito algo errado, teria sido punido e isso não aconteceu".

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