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Xodó da torcida, britânica chega à semifinal de Wimbledon e faz história

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ELIANE SILVA

LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - Uma tenista nascida na Austrália entrou para a história do Grand Slam de Wimbledon e se tornou o xodó da torcida inglesa no torneio mais tradicional do tênis, que completa 140 anos em 2017. Johanna Konta, 26, que obteve a cidadania britânica há cinco anos, se tornou nesta terça-feira (11) a primeira tenista local a conquistar uma vaga nas semifinais do torneio mais tradicional do mundo em 39 anos.

Empurrada pela torcida, Konta, sétima colocada do ranking mundial, derrotou de virada a número 2 do mundo, a romena Simona Halep, por 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (2), 7/6 (5) e 6/4, em duas horas e 38 minutos.

"É meio surreal, inacreditável como as coisas acontecem rápido no tênis. Eu ainda estou digerindo isso", disse a tenista após a vitória que impediu Halep de assumir a liderança do ranking.

O sonho de Konta é repetir a façanha de Virginia Wade, última inglesa que levantou o troféu de Wimbledon, em 1977. No ano seguinte, Wade foi a última britânica a chegar nas semifinais. A ex-campeã estava nesta terça na tribuna de honra da quadra central aplaudindo a façanha de Konta.

Para ter chance de disputar o título, Konta terá que passar nesta quinta-feira pela veterana norte-americana Venus Williams, 37 anos, que completou 100 partidas em Wimbledon nesta terça derrotando Jelena Ostapenko, 21 anos, campeã de Roland Garros neste ano, por 2 sets a 0 (6/3 e 7/5).

Venus e a irmã Serena, aliás, dominam Wimbledon desde 2000. Venus já ganhou quatro vezes o troféu e Serena, que não disputa o torneio este ano por estar grávida, sete.

A sensação de Wimbledon sabe que o desafio não será fácil: "Idade não é problema. Ela é uma grande campeã. É um privilégio dividir a quadra com ela", disse. Na outra semifinal feminina se enfrentam a espanhola Garbine Muguruza (15ª) e a eslovaca Magdalena Rybarikova (87ª).

TOP TEN

Só por ter chegado à semifinal, Konta, que alcançou o "top ten" (ficou entre as dez primeiras do ranking) no ano passado, já tem direito a uma premiação de 550 mil libras, o equivalente a quase R$ 3 milhões. Na carreira, a tenista que viajava em grupo para disputar torneios pelo mundo e se alimentava de pizza e sorvete, já acumulou um pouco mais de R$ 16 milhões.

Na segunda-feira (10), Konta e Andy Murray já tinham feito a festa da torcida em Wimbledon, que não via um tenista e uma tenista local chegarem juntos às quartas de final das chaves de simples do torneio desde 1973. A fila para comprar um dos quase mil ingressos que foram disponibilizados a preços populares para a rodada de segunda começou ainda no sábado (8).

Nesta quarta-feira (12), Murray, o número 1 do mundo e defensor do título conquistado no ano passado, disputa uma vaga na semifinal com o americano Sam Querrey (28º do ranking). O suíço Roger Federer (5º), considerado o maior rival de Murray ao título, enfrenta o canadense Milos Raonic (7º).